5 perguntas, 1 indicação: Felipe Zamana!

O 5 perguntas e 1 indicação é uma seção do nosso blog em que entrevistamos algumas pessoas que admiramos bastante! A ideia aqui é compartilhar os valores, visões e opiniões de pessoas que usam a criatividade e a educação como princípios da sua atividade. Tudo isso para fazer com que as bases de uma educação mais criativa se espalhem cada vez mais, nos mais diferentes contextos.

E o nosso convidado desta vez é o Felipe Zamana! Ele é coordenador pedagógico e líder nacional (Portugal) do World Creativity Day e fundador do Criatividade a Sério. É professor de criatividade, pesquisador acadêmico e palestrante TEDx. Atualmente, dedica-se a explorar processos criativos, criatividade aplicada à educação, ao crescimento e desenvolvimento pessoal e, em breve, publicará seu primeiro livro sobre criatividade.

Vamos lá!

1. Para você, o que é criatividade?

A criatividade é um fenômeno social que vai do micro para o macro, do presente para o futuro. Ela começa na nossa cabeça, nas nossas próprias ideias; quando toma forma, ela é apresentada para o grupo de pessoas em que aquela ideia se encaixa, e, então, essas pessoas irão avaliar se a ideia é realmente criativa (ou seja, se é nova, relevante e gerou valor para elas). Como não podemos mudar o passado, trabalhamos no presente para moldar o futuro.

2. A criatividade é um assunto que recebe bastante atenção atualmente. Mas, junto com toda essa exposição, vem muita desinformação. Quais são os mitos mais comuns relacionados à criatividade?

Na maioria das vezes, esses mitos nada mais são do que antigas definições de criatividade. Ou seja, crenças comuns do que se acreditava ser a manifestação criativa antigamente. Acreditava-se que a criatividade surgia através da inspiração divina, por exemplo. Posteriormente, com os estudos da inteligência no início do século XIX, a criatividade passou a ser vista como loucura, talento inato ou até mesmo genialidade, com uma linha muito tênue separando-as.

Hoje em dia, com a sua popularização, surgiram novos mitos que são repetidos como mantras por cada vez mais “especialistas”, perpetuando a desinformação. O maior problema dos mitos modernos da criatividade é que são compostos por meias-verdades, ou seja, abordam apenas parte do que realmente a criatividade representa, e por isso se tornam tão tentadores de se acreditar. Por exemplo, é muito falado que a criatividade é uma “habilidade e/ou ferramenta para solucionar problemas”. Nessa frase aparentemente inofensiva, habitam nada menos do que três mitos modernos da criatividade. Não vou dizer quais são para provocá-lo a refletir (sim, vou mesmo fazer isso!).

3. Como eu posso descobrir qual é o meu tipo de criatividade?

A melhor maneira para descobrir qual é o seu tipo de criatividade é por meio do autoestudo. Apenas entendendo como você funciona e como te dá maior prazer ao criar é que poderá descobrir como a sua atitude criadora se manifesta. Perceba que falei aqui em atitude “criadora”, e não “criativa”. Quem vai decidir se a sua criação é criativa ou não é o grupo no qual ela está inserida.

4. A partir do conhecimento do meu tipo de criatividade, como posso maximizar o meu potencial criativo?

Ao entender como você funciona e qual é a melhor maneira para criar, é possível tornar o processo criativo muito mais prazeroso e, consequentemente, mais produtivo. Se você se diverte ao criar seja o que for, é natural que a qualidade do produto final da sua criação seja superior, pois aquilo te deu prazer ao fazer. Porém, para chegarmos a esse nível de criar com prazer, é preciso nos entender muito bem, ou seja, conhecer todas as peças do motor e seu funcionamento, e não só dirigir o carro.

5. Muito se fala sobre mudanças na relação entre máquinas e pessoas no futuro, em que máquinas irão “roubar” os empregos de muitas pessoas. Na sua opinião, qual será a importância da criatividade como atributo de diferenciação profissional no futuro em comparação ao que acontece hoje?

Atualmente vivemos uma realidade industrial: linear, repetitiva, segmentada e previsível. Consequentemente, a maioria dos empregos que temos hoje é fruto desse tipo de pensamento: que são facilmente substituíveis por uma máquina – que tem capacidade de executar aquela função com maior precisão, segurança e produtividade do que qualquer ser humano. Isso é ótimo, porque nenhum ser humano se sente realizado, útil e relevante num trabalho assim. Para nos sentirmos realizados, úteis e relevantes, precisamos de liberdade para criar, sermos capazes de dar asas para nossa própria imaginação. Só assim seremos realmente felizes e satisfeitos em nossas vidas.

O ser humano é naturalmente criador. Por isso, não me impressiona que estejamos substituindo essas funções repetitivas e monótonas por máquinas. Entretanto, não há por que temê-las, pois elas nos substituirão apenas nessas funções. Qualquer função que exija criatividade e uma visão mais generalista de mundo, que consiga integrar e relacionar diferentes áreas, dificilmente será substituída por uma máquina. Investir na criatividade é investir naquilo que nos faz humanos, sendo a melhor aposta para o profissional do futuro.

Indique alguma coisa que precisamos passar adiante! (Filme, série, livro, qualquer coisa!)

Os livros do Austin Kleon (@austinkleon)

Documentário Everything is a Remix, do Kirby Ferguson (disponível no Youtube)

A Universidade Criativa, por onde lançarei um curso sobre Criatividade em breve 😉 (@universidade.criativa)

* Este artigo do Imagine-me foi revisado por Julio Cunha Neto, do Português de Boa.

5 perguntas, 1 indicação: Manuela Bisognin Custódio!

O 5 perguntas e 1 indicação é uma seção do nosso blog em que entrevistamos pessoas que admiramos bastante! A ideia aqui é compartilhar os valores, visões e opiniões de quem usa a criatividade e a educação como pontos-chaves para a sua atuação. Tudo isso para fazer com que as bases de uma educação mais criativa se espalhem cada vez mais, nos mais diferentes contextos.

E a nossa convidada de hoje é a Manuela Bisognin Custódio! A Manuela é professora, mãe, empreendedora, curiosa e “desacomodada”, como ela mesmo diz. (Hahaha!) Formada em Letras – Inglês, Mestre em Ensino de Línguas e Especialista em TIC Aplicadas à Educação, ela já trabalhou com ensino de língua inglesa para pré-adolescentes, adolescentes e adultos, em vários ambientes – escola, curso livre e pré-vestibular, por exemplo. Hoje, Manuela é professora do curso de Letras da Universidade Franciscana, em Santa Maria – RS (onde trabalha na formação de futuros professores) e sócia/diretora/professora da Escola de Idiomas PBF, da Fundação Fisk – também em Santa Maria. Vamos lá!

1. Para você, o que é criatividade?

Para mim, criatividade é o exercício de nossas habilidades de inspiração, inovação, autenticidade e transformação. É a maneira com a qual eu me reinvento em cada situação, a partir da minha visão de mundo. Penso que a curiosidade, o timing e a experiência permitem colocar tua criatividade em prática.

2. Como ser mais criativo no dia a dia?

No dia a dia, precisamos estimular nossas habilidades. Precisamos olhar o que nos cerca de forma mais inspiradora e, para cada momento, sermos mais intuitivos, curiosos, autênticos. Cada situação te permitirá e exigirá uma reação diferente, e é aí que a gente se reinventa. A vontade de se adaptar, de não se acomodar – aliada à busca, pesquisa e estudo – leva-nos à criatividade. 

3. Você acha que aprender um idioma novo tem impacto no potencial criativo da pessoa?

Muito! Aprender idiomas te permite conhecer outras culturas, costumes, mundos e visões diferentes. Assim como a criatividade é fundamental para estimular o interesse do aluno e motivar seu aprendizado, o idioma te proporciona acessar mais informações, aumentando o teu repertório e permitindo fazer mais associações!

4. Como atividades lúdicas impactam o aprendizado dos alunos?

Muitas pessoas pensam que ludicidade é “coisa de criança”, mas quem não adora uma dinâmica ou atividade diferente em sala de aula?! Não existe idade limite para estimular a aprendizagem, ainda mais se for mais dinâmica e próxima da realidade do aluno. Tanto alunos quanto professores conseguem visualizar melhor o que estão aprendendo ou estudando por meio de atividades mais leves, cheias de objetivos e significados, porém criativas, “diferentes” do tradicional. Elas te tiram do teu ponto de referência e estimulam ainda mais o exercício mental. 

5. Quais atividades você recomenda para os pais utilizarem em casa como forma de complementar o aprendizado do inglês da escola ou do curso?

Como professora, eu recomendaria diversas atividades, apps, livros… Agora, como mãe que tenta fazer os filhos de cobaia e professora, eu recomendo que os pais busquem inserir o idioma na rotina da casa. Seja ao assistir a desenhos e filmes, ao ouvir músicas, ler pequenas histórias ou até mesmo nas atividades mais essenciais, como chamar para almoçar, “mandar” para o banho, pedir que lave a louça ou que faça as tarefas da escola. Falar sobre viagens, países e culturas, mesmo que em português, mexe com a curiosidade! Tentem mostrar o idioma de forma natural, sem pressão, correção ou estudo de regras. Deixem que o idioma, seja ele qual for, apareça naturalmente na rotina. 

Indique alguma coisa que precisamos passar adiante (Filme, série, livro, qualquer coisa)!

Para estudar idiomas e conhecer o mundão aí fora, nada melhor do que ir à fonte! Tem perfis muito legais de nativos que nos dão verdadeiras aulas!!

Um perfil que super indico é do @talktoross. Irlandês apaixonado pelo Brasil, ele dá show ao falar de história, cultura e curiosidades. Um jeito diferente de aprender a aprimorar o idioma, sem focar o estudo mais tradicional da língua.

Para quem prefere perfis sobre pontos específicos da gramática da língua inglesa, indico o @corkenglishteacher. O John é uma mistura de gramática ambulante, com aplicação do inglês no dia a dia. Ambos têm canal no Youtube também. 

* Este artigo do Imagine-me foi revisado por Julio Cunha Neto, do Português de Boa.

Sobre piratas, âncoras e criatividade

Este texto foi escrito especialmente para o blog do Imagine-me pela Fabiana Gutierrez, da Carlotas.


É inegável que 2020 vai ser um ano de muitas mudanças. Mudar assusta, mas traz surpresas. E boas! Basta a gente estar aberto a elas. Dizem por aí que dentro de uma crise sempre há uma oportunidade. Verdade ou não, muitos dos nossos aprendizados vêm pelo erro, por tentar e falhar, por nos encontrarmos em uma situação desconfortável que nos leve à ação. Mas por que esperamos uma crise ou uma situação desconfortável para testar algo novo? O novo – o desconhecido -, muitas vezes, assusta! Preferimos a dor conhecida à insegurança da mudança. No entanto, quando nos aventuramos por esse lugar mágico que é o desconhecido, abrimos oportunidades de viver coisas que nunca imaginamos. 

E o que isso tem a ver com o brincar? TUDO! Na brincadeira, podemos ter um ambiente de experimentação e teste. Fazemos, falhamos, arrumamos e refazemos num espaço no qual o grande foco é a vivência. O brincar nos permite testar diferentes posturas que podem servir de referência em situações cotidianas, ensina-nos a intensidade e a criatividade, a observação e as hipóteses. Durante o brincar, estamos num estado de presença que nos faz focar o aqui e agora e, também por isso, ajuda a interromper fluxos automáticos de rotina que podem resultar em um estado de relaxamento, permitindo-nos sentir diversos benefícios.

Ao longo da nossa jornada para a vida adulta, muitos de nós deixamos de brincar – em diversas instâncias – e, com isso, perdemos recursos importantes para enfrentar situações desafiadoras, transformar crise em oportunidade e se conectar com o outro. 

Falar para brincar pode parecer, para alguns adultos, quase tão assustador quanto andar na prancha de um navio pirata. Por razões diferentes, transitar no universo adulto acaba nos afastando do brincar – esse momento que nos coloca, ao mesmo tempo, num lugar vulnerável de entrega, mas que também nos permite viver experiências de profunda conexão. Infelizmente, como adultos, acabamos nos aproximando cada vez mais da âncora e nos afastamos dos piratas. Ficamos seguros, mas perdemos a aventura. 

Brincar é uma forma real de aprendizagem, estimula a criatividade e a sociabilidade, aumenta o vocabulário e o repertório de vida, ajuda a reconhecer, lidar com as emoções e exercitar a empatia e estreita os vínculos com quem se brinca.

Vários especialistas podem confirmar tudo isso – e revelar muito mais benefícios do brincar. Eu trago tudo isso porque estou há mais de 40 anos brincando, com especialização em monitoria de crianças desde os 14, além de uma imersão de mais de 11 anos nos quais me aventurei na maternidade. Não é sempre que consigo vencer essa batalha entre me agarrar na âncora ou me juntar aos piratas navegando pelos mares, mas sei que vale a pena.  

Espero que você também descubra isso!

Fabiana Gutierrez

Carlotas é um negócio social que cria diálogos sobre a diversidade e promove o respeito e empatia entre as pessoas. Conheça mais em Carlotas.org.


* Este artigo do Imagine-me foi revisado por Julio Cunha Neto, do Português de Boa.