Quais brincadeiras marcaram a sua infância?

Hoje vamos falar de um assunto um pouco diferente aqui no blog. De tanto conversarmos sobre brinquedos, criatividade, diversão e educação, resolvemos nós mesmos contribuir com relatos pessoais sobre os brinquedos ou atividades que mais marcaram as nossas infâncias. De forma a deixar o exercício mais dinâmico, a regra foi: cada um poderia escolher apenas uma atividade ou brinquedo dentre tantos que discutimos por aqui. Todos na nossa equipe foram crianças nas décadas de 80 e 90, então você provavelmente vai identificar algumas delas. Olha só:

Imagem: Taru Huhkio – Unsplash

Pablo: Papel, lápis, canetinhas coloridas e lápis de cor foram as minhas maiores ferramentas na infância. Muito se devia a circunstâncias: não fiz o jardim A em uma escola tradicional, mas sim em uma escola de artes. Meu pai é arquiteto, uma das minhas avós tinha a pintura como hobby e um dos meus melhores amigos desenhava para um jornal local. Soma-se a isso meu gosto por revistas em quadrinhos (sempre fui fã da Turma da Mônica), almanaques típicos da época, desenhos animados, animes e videogame. Copiar os personagens foi o primeiro passo; criar os meus, apenas uma sequência natural. 😀

Imagem: Depositphotos

Guilherme: As lembranças das tardes passadas na casa dos meus avós, na zona rural, estão entre as melhores da minha infância. E imagino que seja assim para um bocado de outras pessoas também. Uma das atividades que mais me fascinava era observar e interagir com a natureza. Será que a galinha gosta mais de milho seco ou molhado? E essa trilha de formigas nesse caule, onde ela começa?  Hmmm… será que esse graveto aqui no chão não seria um… CAJADO MÁGICO? :O Naquela época, e ainda hoje, às vezes bastava olhar ao redor; o nosso entorno pode ser o brinquedo mais criativo de todos!

Imagem: São Simão Comércio Atacadista

Henrique: Acho que uma das coisas com que eu mais brinquei (que eu me lembre!) foi a Mola Maluca! Literalmente uma mola que a gente “jogava” de um lado para o outro… Só que, na verdade, ela servia para muitas outras coisas! Podia ser pulseira, podia “descer” escadas, funcionava como túnel pros carrinhos… A verdade é que a Mola Maluca é um dos brinquedos mais versáteis que a gente poderia ter porque se encaixava em qualquer brincadeira! 

E então, identificou-se? Mesmo que não, não tem problema! Aqui na Imagine-me consideramos a brincadeira uma coisa muito diversa e pessoal. Acreditamos que a criatividade só encontra seu verdadeiro potencial quando a criança (ou o adulto, por que não?) se engaja em atividades divertidas que tenham um significado próprio.

E então? Quais brincadeiras marcaram a sua infância? Contribua aqui nos comentários! 😉

Abraços!

Guilherme, Henrique e Pablo

Equipe Imagine-me

Não existe aprendizado sem curiosidade

Jean Piaget (1896-1980), um dos pensadores mais influentes no desenvolvimento da pedagogia no século XX, afirmava que as crianças poderiam ser consideradas “pequenos cientistas”. Talvez por sua própria formação e atuação bastante variadas (ao longo de sua carreira, ele deu contribuições que partiram da computação, passando pela biologia, filosofia e, é claro, pela pedagogia e educação), Piaget entendia que uma atração pelo novo e pelo diferente é pré-requisito para a construção do conhecimento

Assim, do mesmo modo que o cientista investiga a realidade formatando, realizando e monitorando experimentos a partir de uma inquietação inicial (em termos de ciência, o que se chama de hipótese), também a criança faz sentido do mundo a partir de uma “faísca” inicial, muito parecida. É essa característica primordial que o cientista e a criança têm em comum: a curiosidade.

Um certo ímpeto para desbravar o desconhecido sempre esteve por trás do entendimento do que é a curiosidade (afinal, ela já foi até mesmo descrita por cientistas como a alegria da descoberta1). John Dewey (1859-1952), filósofo e reformador educacional, em seu livro “Como pensamos”, de 1979, afirma que a capacidade de aprendizado está precisamente no exercício da habilidade de “virar as coisas do avesso”. A curiosidade não somente seria um dos componentes desse ímpeto de descoberta, que sempre é deliberado, como também consistiria na base do já citado estágio dos “porquês” das crianças. Uma fase que, segundo ele, é nada menos do que “a fundação para o pensamento crítico” dos pequenos.

Ambos, Jean Piaget (à esquerda) e John Dewey (à direita), enxergam a curiosidade como um alicerce sólido no qual a criança pode calçar seu desenvolvimento. Dewey inclusive considerava a curiosidade infantil como estado mental mais “natural e não contaminado” e, por isso, a “base para desenvolver pensamentos robustos”.

A curiosidade, portanto, gira em torno desse desejo por descobrir e forma a base do modo pelo qual avaliamos o mundo como adultos. Adultos curiosos são justamente aqueles que conseguiram manter esse “deslumbramento infantil” de olhar um mundo repleto de mistérios e fascínios, intacto apesar das pressões sociais. E tudo aponta que esses adultos possam ser mais bem-sucedidos que os que, quando crianças, não tiveram seu potencial curioso encorajado e plenamente desenvolvido. Um estudo, intitulado “Early Childhood Curiosity and Kindergarten Reading and Math Academic Achievement“ (“Curiosidade Infantil Precoce e Leitura Pré-Escolar e Realizações Acadêmicas em Matemática”, em tradução livre) publicado na revista Pediatric Research 2, sugere que quanto mais curiosa é uma criança, maior é a probabilidade de ela ter um desempenho melhor na escola

Um exemplo bastante claro do quanto a curiosidade é uma característica tão essencial à infância é a famosa fase dos “porquês” pela qual toda criança passa. “Por que o vento existe? Por que aquele prédio é vermelho? Por que o gato faz ‘miau’?” (…)”.

Segundo uma pesquisa intitulada “Curiosity and Interest: The Benefits of Thriving on Novelty and Challenge3 (“Curiosidade e Interesse: Os Benefícios de Prosperar na Novidade e Desafio”, em tradução livre), ser curioso pressupõe características como abertura a novas experiências, desejo pela novidade e vontade de abraçar o inesperado, sem receios. Em última análise, portanto, podemos ver a curiosidade como um estado de enxergar o mundo que significa estar confortável com a incerteza

“ A curiosidade traz o risco da aventura, questionando, e, às vezes, até descobrindo, que suas próprias respostas estão erradas.”

Amós Oz, escritor israelense

Mas como pais e professores podem inspirar esses estados de inquietude e segurança com o incerto nas crianças? A verdade é que a curiosidade é um dos pressupostos mais essenciais à educação. Afinal ela já era descrita pelo filósofo romano Cícero, em 79 d.C. (há quase 2000 anos atrás!) como uma “paixão por aprender4. Ou seja: o entendimento de que aprender anda lado a lado com a curiosidade já não vem de hoje.  


E a ciência apoia essa constatação. A curiosidade estaria entre as quatro características essenciais para possibilitar um melhor aprendizado2.

A curiosidade é um dos 4 fatores para um melhor aprendizado

Curiosidadecapacidade para a invenção e imaginação
Autocontrolepersistência e atentividade a tarefas
Comportamento
pró-social
habilidade de formar e sustentar relações sociais
Regulação emocionalcapacidade de gerenciar sentimentos e comportamento


A mesma pesquisa ainda concluiu que a “motivação para aprender novas coisas” seria precisamente o aspecto da curiosidade que teria uma associação mais forte com a realização acadêmica. Segundo a amplamente aceita Teoria da autodeterminação (Self-Determination Theory), as crianças necessitariam de três ”nutrientes psicológicos” (como descrito pelo escritor norte-americano Nir Eyal 5 ) para desenvolverem um sentimento de motivação para a realização de suas atividades – em especial o aprendizado: (1) um sentimento de competência, (2) um sentimento de autonomia e (3) um sentimento de pertencimento. A chave para trabalhar a curiosidade das crianças passaria, portanto, pelo entendimento de que a motivação é multidimensional e depende do alinhamento desses vários elementos.

Mais precisamente, é possível pensar que entram em jogo tanto os traços da própria criança (genéticos ou de criação) como o contexto em que ela se encontra. Por isso, por mais predisposta que a criança esteja a ter traços de curiosidade, ela não vigora sem as condições propícias no seu ambiente3. A bibliografia científica é vasta na constatação da importância desse contexto, adequado ao surgimento e fortalecimento da curiosidade. Um estudo 6 constatou que a curiosidade depende da realização de atividades que estejam relacionadas aos seus interesses específicos. Já outra pesquisa 7 constatou a importância de atividades que sejam significativas em um nível pessoal para o fomento da curiosidade. E assim é com outra vasta parte do conhecimento acumulado sobre o tema – como é o caso de outros estudos já citados anteriormente neste texto 1 2 3 4

Pais e professores comprometidos com o fomento da curiosidade em seus filhos e alunos devem, portanto, ajudar a criança a identificar qual o significado pessoal de cada atividade que ela realiza. Incentivar sentimentos como autonomia,competência e conectividade pode ser a chave para isso 6.

Curiosidade é motivação: a importância da conexão pessoal com a atividade.

Ao longo deste texto vimos que a curiosidade é um dos pré-requisitos para uma inquietação que, por sua vez, leva à busca por explorar e entender o mundo à nossa volta. Também vimos que, junto com outros fatores, estar curioso (em oposição a ser curioso) é a base para pensar de maneira crítica e, precisamente, uma das competências-chave a serem desenvolvidas e fomentadas nas crianças durante os anos iniciais. 

Refletindo sobre nosso contexto atual, percebe-se que a tecnologia de comunicação mudou o mundo drasticamente. E, junto com o modo como nos comunicamos, alimentamos e deslocamos, o jeito com que aprendemos também está sendo alterado. Penso que o papel do professor como convencionalmente conhecemos mudou: aprender deixou de ser um caminho de mão única – com o instrutor como único transmissor do conhecimento. Agora, requer-se que o aluno seja mais agente em seu próprio aprendizado, tendo o professor como mediador. 

“Educação não é uma questão de falar e ouvir, mas um processo ativo e construtivo.”

John Dewey, filósofo e reformador educacional

Isso significa que a construção do conhecimento e do aprendizado se desloca cada vez mais de currículos sugeridos ou impostos por instituições para indivíduos movidos por curiosidade.Nesse novo cenário, a educação deve ser voltada ao estímulo de estados de abertura e reflexão, facilitando modos de aprendizado que instiguem a descoberta e o desenvolvimento de visões pessoais para os conteúdos e assuntos trabalhados. Através desses dois pontos, poderemos capacitar nossas crianças para se tornarem adultos ativos e engajados no desenvolvimento de soluções novas para um mundo instigante e complexo, que já não aceita as mesmas ideias de sempre.

E então? Curioso(a) para ver essa nova realidade? 

Guilherme Parolin 

Equipe Imagine-me

Referências citadas no texto:

  1. LITMAN, Jordan A. Interest and deprivation factors of epistemic curiosity. Elsevier, 2008. 
  2. SHAH, Prachi E. et al. Early Childhood Curiosity and Kindergarten Reading and Math Academic Achievement. Pediatric Research, 2018. 
  3. KASHDAN, Todd B.; SILVIA, Paul J. Curiosity and Interest: The Benefits of Thriving on Novelty and Challenge. Oxford University Press, 2009. 
  4. CICERO, Marcus T. Cicero: De Finibus Bonorum Et Malorum. Forgotten Books, 2018. 
  5. EYAL, Nir. Kids today are lacking these psychological nutrients. Big Think, 2020.
  6. KASHDAN, Todd B.;FINCHAM, Frank D. Facilitating Curiosity: A Social and Self-Regulatory Perspective for Scientifically Based Interventions. Positive psychology in practice, 2004.
  7. BLACK, Aaron E.; DECI, Edward L. The Effects of Instructors’ Autonomy Support and Students’ Autonomous Motivation on Learning Organic Chemistry: A Self-Determination Theory Perspective. John Wiley & Sons, 2000.

* Este artigo do Imagine-me foi revisado por Julio Cunha Neto, do Português de Boa.

5 perguntas, 1 indicação: Maria Claudia!

O 5 perguntas e 1 indicação é uma seção do nosso blog em que entrevistamos pessoas que admiramos bastante! A ideia aqui é compartilhar os valores, visões e opiniões de quem usa a criatividade e a educação como bases para transformar a sociedade. São exemplos que podem inspirar mais gente, nos mais diferentes contextos.

A nossa primeira convidada é a Maria Cláudia Schmitt Araujo, professora de matemática do Colégio Sagrada Família e da Escola Internacional UNISOCIESC, além de mestranda da UFSC – tudo isso em Blumenau, Santa Catarina. Conversamos um pouco com ela sobre a aplicação da criatividade e de recursos pedagógicos diferenciados na sala de aula (e na matemática!). O papo foi muito interessante, olha só:

1. Para você, o que é criatividade?

Criatividade é um pouco da maneira como você enxerga as coisas: talvez minha maneira de ser criativa pode ser diferente da sua… e, ao mesmo, tempo é tentar – não inovar! – mas fazer algo diferente. Acho que criatividade é você se reinventar um pouco, pensar de maneira diferente e criar algo novo pra você.

2. Como a criatividade entra no dia a dia da sala de aula?

Pro professor, durante toda a aula. Desde o planejamento, quando ele começa a pensar em algo diferente pra introduzir um conteúdo novo, algo mais contextualizado… algo pra prender a atenção do aluno. Também precisa ser criativo na hora que vai passar isso pros alunos, porque você pode planejar de uma maneira, mas o jeito com que você fala – que você age com seus alunos – não passa a mesma ideia do que você planejou.

Na hora de avaliar os alunos, também: seja avaliar por meio de uma avaliação mesmo, como uma prova, ou por meio de um trabalho, ou até avaliação diária. Se os alunos realmente entenderam o conteúdo, você tem que ter uma maneira diferente de verificar isso com eles. E, também, no pós-aula, que é quando você reflete se aquilo realmente atingiu o objetivo que você queria ou se precisa mudar para a próxima aula. Enfim: como isso vai interferir no andamento das suas aulas.

3. Quais recursos pedagógicos você usa nas suas aulas?

Na matemática, a gente acaba de alguma maneira se apegando ao tradicional. Mas eu tento sempre trazer os conteúdos para a realidade. Meus alunos dão risada porque todos os exemplos que eu dou, em todo e qualquer conteúdo, tem comida: bolo, pizza, bala, chocolate… Independente se é fração, se a gente tá falando de geometria, trabalhando com múltiplos… Em qualquer conteúdo eu envolvo comida – uma coisa minha, quase uma marca registrada! Eu sou um pouco apegada com o quadro, então tenho muito costume de manter o registro em quadro, caderno… 

Em matemática, por mais que você traga algo diferenciado, é no exercício que o aluno vê se ele realmente entendeu e você pode transformar esse exercício de uma maneira diferente.

As provas deles, por exemplo, costumam ter situações das quais a gente falou em sala de aula e até brincadeiras nossas. Em vez de usar nomes aleatórios, eu procuro sempre usar o nome deles. Então, eles se identificam e dão risada durante a prova porque eles estão ali. 

Além disso, no Sagrada Família cada aluno recebe [para uso em sala de aula] um Chromebook. Então, questões de pesquisa facilitam um pouco, e fazemos também a avaliação por meio do computador, com formulário do Google. Conteúdos mais teóricos, que são mais chatinhos de avaliar com eles, eu faço dessa forma pra ficar um pouquinho diferente. A gente tem a cozinha à disposição, então também tentamos fazer algumas aulas de culinária dentro do conteúdo. Exemplo: se estamos trabalhando medidas de massa, vamos à cozinha fazer uma receita em que você precisa usar a balança, em que você vai pensar em quilogramas, gramas, e assim por diante. 

Mas eu acho que você tendo VOCÊ e sabendo usar isso a seu favor já é um recurso excelente! O aluno precisa de algo que prenda a atenção dele, então às vezes você tem à sua disposição mil e uma coisas diferentes, mas a sua aula não prende, não fascina, não desperta nada.

E às vezes com o mínimo de recurso você transforma sua aula em algo que para os alunos é extraordinário.

Eu sou bem do simples, do “menos é mais”, e procuro atender a atenção deles nesse ponto. Quando eu vejo que tá muito monótono, que eles estão muito quietos, eu grito mesmo! [Risos] Eu dou uns gritos, pra ver se tá todo mundo acordado, se tá todo mundo bem. Alguns dão uns pulos da cadeira, mas eles já estão acostumados. [Risos] Então, eles sabem que aquele momento é pra ver se tá todo mundo realmente prestando atenção.

4. Dá pra exercitar a criatividade ensinando (e aprendendo) matemática, então?

Ensinando, sim, e aprendendo, também! A gente costuma, principalmente em resolução de problemas, tentar ver se tem mais de uma maneira [de resolver o problema]: “Eu só posso responder dessa maneira? Eu posso fazer de outra?” Ou, às vezes, o simples fato de tu perguntares pra eles: “Beleza, estamos vendo multiplicação.. onde que vocês já viram multiplicação na vida de vocês? Onde podemos usar? A gente pode não usar, mas será que alguém tá usando nesse momento em alguma coisa?.” Trazer essa reflexão do dia a dia e procurar a aplicação já é um meio de criatividade. Procurar sempre as maneiras diferentes de resolver um problema também é uma forma de ser criativo, né?

5. Quais são as tendências atuais que você observa com relação a recursos pedagógicos que fomentem práticas criativas em sala de aula?

Tá cada vez mais difícil prender a atenção do aluno. Eles têm à disposição muita coisa e, hoje em dia, tu fazes qualquer coisa com teu celular – e eles, cada vez mais cedo, têm acesso a isso. Em sala de aula, os alunos perdem o interesse muito rápido, questionam cada vez mais cedo. É o clássico “por que eu tenho que aprender isso?” ou “onde eu vou usar isso na minha vida?”. Então, eu acho que uma tendência atual é cada vez mais trazer teus conteúdos pra realidade.

Instigar, despertar o interesse do aluno, acho que isso é uma das coisas mais difíceis por conta desse acesso muito fácil a tudo quanto é tipo de informação.

Hoje também eles te enfrentam, questionam mais. Então, uma coisa que funciona é tu trazê-los para a tecnologia. O simples fato de eu transformar uma prova do papel para o computador, pra eles, já é algo impressionante! Traz uma atenção maior. Muitas vezes é exatamente a mesma coisa, mas o fato de eles não precisarem escrever no papel e, sim, olhar na tela do computador já é diferente. 

O que eu tenho sentido agora com essa situação que a gente tá vivendo, essa questão de quarentena e aulas remotas, é o quanto é importante a gente concentrar os conteúdos e realmente passar o necessário pra eles.

Se já é difícil prender a atenção deles em sala de aula – em que você está, chama a atenção, traz ele pra perto, pergunta, instiga e estimula a participação -, com as aulas remotas é muito mais difícil! Eles aguentam ficar cinco, seis horas direto maratonando séries, mas não aguentam ficar 40 minutos escutando explicação do professor. Então, de alguma maneira, tu tens que trazer isso mais pra perto deles também, é um novo desafio. Quanto mais conseguirmos entrar no universo deles, melhor pra gente e pro aprendizado deles, também.

Indique alguma coisa que precisamos passar adiante! (Filme, série, livro, qualquer coisa!)

Apesar de ser um filme antigo, mas principalmente por esse momento que a gente tá vivendo, é bem importante (e eu gosto bastante!) o filme Divertidamente! A gente tem que entender que quando a gente não tá bem, tá tudo bem também! E que temos que extrair – até das coisas ruins – bons ensinamentos pra gente viver em paz. Essa seria minha indicação pra entendermos um pouquinho melhor como funciona a nossa cabeça e entender que, às vezes, vai tá tudo bem, vai tá tudo bom, às vezes não vai… Todo mundo erra, todo mundo tem dias mais tristes, tem arrependimentos maiores e a gente tem que aprender a viver com tudo isso.