Timidez: como você pode ajudar o seu filho?

A timidez em bebês e crianças é muito comum! Por isso é importante entendermos, como adultos, de que forma podemos contribuir com o desenvolvimento saudável destas crianças. 

O que é timidez? 

É importante refletirmos sobre este ponto, antes de mais nada. A timidez não pode ser vista como um defeito ou um tipo de barreira que deve ser “vencida” pela criança. Esse tipo de percepção pode gerar pressão por parte dos pais, o que é muito prejudicial. A timidez é vista como um traço de temperamento, como se fosse parte da personalidade da pessoa. 

É muito comum colocarmos as crianças em situações que as deixam tímidas, como situações sociais em que as crianças precisam interagir com desconhecidos. Este tipo de episódio pode deixar qualquer criança acanhada e sem jeito, isso não faz com que ela seja mal educada. Lembre-se que você já descobriu como interagir com adultos que acabou de conhecer e as crianças ainda estão aprendendo como funciona. 

A timidez é genética ou um tipo de resposta comportamental? 

Segundo Thalia Eley, professora de genética do desenvolvimento e do comportamento no King’s College London, apenas cerca de 30% da timidez como característica se deve à genética. O resto funciona como uma resposta ao ambiente. A rotina e as vivências são quase mais importantes para desenvolver esses tipos de características. 

Como você pode ajudar crianças tímidas a se sentirem mais confortáveis?

  • Seja paciente com a criança

Dê um tempo para que a criança se sinta segura para interagir com o desconhecido. Incentive o adulto a conversar e brincar com a criança, em tom de voz amigável. 

  • Afastamento gradual

Durante situações sociais, esteja com a criança e quando ela se sentir segura, você pode se afastar de forma gradual. Não deixe a criança sozinha no primeiro momento.

  • Seja aberto e encoraje seu filho

A timidez pode gerar uma superproteção por parte dos pais, fazendo com que a criança sinta mais medo ou receio de ficar sozinha. Seja aberto e encoraje a independência saudável: “Sei que você não conhece as pessoas que estão aqui, eu conheço algumas e vou conversar com elas. Vamos junto comigo?”. 

Você pode encorajar a independência, sempre prezando pelo cuidado e lembrando a criança de não conversar com estranhos, sem a presença de algum responsável. 

  • Pense sempre no exemplo 

As crianças nos observam o tempo inteiro, mesmo quando estão envergonhadas, elas ficam de olho. Alguém disse “oi” para você? Retribua o cumprimento. Você também pode mostrar como lida com adultos que não conhece, para que a criança possa refletir sobre este exemplo quando encontra crianças que ainda não conhece. 

  • Incentive encontros para brincar

Seja na sua casa ou na casa dos amiguinhos, ter encontros com crianças pode ser um ótimo incentivo. Você pode marcar o primeiro na sua casa, para estar presente e a criança se sentir mais confortável. 

  • Comparações não ajudam em nada

“Seu irmão nunca foi assim”, “Parece bicho do mato”. Este tipo de afirmação, mesmo que em tom de brincadeira, não contribui com o desenvolvimento e causa sentimentos negativos nas crianças. 


Conviver com crianças tímidas pode ser um desafio maior aos adultos. O nosso papel é muito importante para estimular as relações sociais, mas não torne este pequeno detalhe um grande problema nas relações da criança. O melhor que você pode fazer é incentivar e dar apoio para que a criança se sinta acolhida e segura para ser ela mesma. 

Fontes: 

BBC

Bebê Abril 

4 dicas para ter uma rotina criativa com as crianças!

Você sabia que uma rotina criativa pode ser benéfica para o desenvolvimento do intelecto, das emoções e até mesmo para a saúde infantil? As crianças possuem hábitos inovadores e uma imaginação poderosa. Uma rotina monótona em excesso e que não proporciona estímulos criativos pode causar muitos prejuízos. 

Pare por alguns segundos e tente recordar como eram seus hábitos na infância: você cresceu em um ambiente criativo? Você tinha uma diversidade de atividades, lúdicas ou não? Como era a cobrança da sua família com relação aos estudos, e como era o equilíbrio entre estudar e brincar? É difícil responder e entender se temos uma rotina criativa. Afinal, a capacidade de criar pode ser encontrada e desenvolvida de diversas formas. Não existem receitas para uma vida criativa. Por isso, vamos te ajudar!

Selecionamos algumas dicas e hábitos (que você pode facilmente acrescentar na sua rotina familiar) para que a criança se sinta livre e estimulada a experimentar a sua criatividade com frequência. Vamos lá! 

Espaço para criar 

Ter um espaço para a criança é super eficaz no estímulo das atividades e, claro, da imaginação! Isto não significa que você precisa de uma sala de jogos incríveis e com os brinquedos mais modernos. A criatividade pode ser explorada em um ambiente simples, mas que a criança tenha liberdade!

Por exemplo: um quarto ou cantinho no próprio quarto da criança, com um quadro negro, algumas folhas para pintar e algumas roupas ou fantasias. São elementos simples e que podem se transformar em diversas brincadeiras. 

Este cantinho deve ser da criança e ela precisa se sentir livre para explorar. A pesquisa da psicóloga Barbara Fredrickson, autora do livro Positivity, mostra que brincar, ao aumentar o humor positivo, nos faz sentir mais felizes e mais criativos. Que tal experimentar este hábito em família? Você, como adulto, tem o papel importante de deixar que ela decida o que vai fazer e como vai fazer – prezando apenas pela segurança dos pequenos.

Tempo “livre” 

Uma das tarefas difíceis dos adultos é organizar uma rotina que seja saudável para a criança. Escola, aula de dança, aula de inglês, aula de música, são muitas possibilidades! Ao proporcionar algumas horas livres, sem tarefas determinadas para as crianças, elas podem escolher como querem curtir o momento. 

Emma Seppälä, diretora de ciências do Centro para Pesquisa e Educação em Compaixão e Altruísmo da Universidade de Stanford, defende que as melhores ideias vêm do relaxamento.

“A criatividade acontece quando sua mente está sem foco, sonhando acordada ou ociosa”.

Emma Seppälä

O poder de escolha é muito importante para o desenvolvimento da independência e também da imaginação. Nós, adultos, determinamos o que as crianças comem, o horário do banho, o horário da escola, o pijama, os brinquedos e por aí vai. O que acha de treinar o poder de escolha em alguns momentos e deixar que as crianças tomem a decisão quando for possível?

Estimule a paixão! 

Se você perceber que seu filho possui fascínio por algum tema, incentive esta paixão. Por exemplo: uma criança que se interessa por cozinha, que goste de observar os pais cozinhando e sente muita vontade de lidar com os ingredientes. Com todos os cuidados necessários, você pode incentivar esta paixão. O apoio é muito importante para o desenvolvimento e a criatividade está diretamente ligada à segurança em experimentar algo novo.

Precisamos dar o exemplo

Crianças são muito observadoras e tudo o que elas consomem, se torna exemplo a ser seguido. Se você é pai ou mãe, e vive uma rotina automatizada, na correria e nem pensa em criatividade… talvez seja o momento de revisitar os hábitos familiares. Isto pode ser difícil, nem sempre vai dar, mas tente pequenos momentos ao dia.

Aproveite as brincadeiras das crianças para entrar na onda, talvez uma hora por dia, antes do jantar. Assim, as crianças vão perceber que os adultos também criam, se divertem e podem ser muito mais livres criativamente do que elas imaginam. 


Você deve ter percebido que a criatividade está ligada ao poder de criar, muito mais do que qualquer outra coisa. Sabemos que rotinas, quando trata-se de crianças, podem ser um grande desafio. Lembre-se que a imaginação é uma ferramenta poderosa e nós, adultos, podemos dar base e incentivo para que as crianças vivam e sintam a criatividade!

5 perguntas, 1 indicação: Alex Bretas!

O 5 perguntas e 1 indicação é uma seção do nosso blog em que entrevistamos algumas pessoas que admiramos bastante! A ideia aqui é compartilhar os valores, visões e opiniões de pessoas que usam a criatividade e educação como bases para a sua atuação. Tudo isso para fazer com que as bases de uma educação mais criativa se espalhem cada vez mais, nos mais diferentes contextos.

E o nosso convidado é o Alex Bretas! Mineiro, escritor, designer de comunidades de aprendizagem autodirigida e cantor nas horas vagas, o Alex trabalha e estuda aprendizagem autodirigida e novas formas de aprendizagem. Lançou dois livros: “Doutorado Informal” e “Kit Educação Fora da Caixa”. Hoje, ajuda as pessoas a ter foco, persistir e encontrar tempo na sua rotina para aprender.

1. Para você, o que é criatividade?

Recentemente, lancei junto com outros três coautores (Alexandre Santille, Conrado Schlochauer e Tonia Casarin) o livro “Core Skills: 10 habilidades essenciais para um mundo em transformação”. Um dos capítulos aborda a criatividade. Gosto bastante do conceito que desenvolvemos lá, que diz que ser criativo é a capacidade de enxergar o invisível a partir de combinações inesperadas entre as coisas. A pessoa criativa desenvolve um repertório rico e diverso o suficiente para possibilitar uma “rede de perambulações mentais” que leva à inovação. Além disso, ela entende como funciona seu próprio processo criativo e está conectada a alguma fonte de motivação intrínseca — isto é, algo que a energiza e a faz levantar da cama todos os dias. A criatividade é muito mais provável de emergir quando estamos realizando algo porque queremos e/ou porque faz sentido, em vez de estarmos obedecendo ao comando de alguém.

2. Hoje em dia se fala muito na autonomia como um dos pilares da educação. Na sua visão, que elementos ao longo da história do desenvolvimento dos nossos modelos de educação levaram a essa conclusão? E qual será o papel da autonomia na educação do futuro?

Um primeiro ponto importante é que a autonomia nos processos educacionais é muito mais falada do que praticada de fato. E isso ocorre porque estamos vivendo uma inércia sem precedentes em nossos sistemas de educação: desde o século XVIII, métodos como aulas expositivas, provas escritas e punições e recompensas vêm sendo utilizados. A visão baseada na autonomia e na liberdade das pessoas em perseguirem seus próprios objetivos de aprendizado se fortaleceu a partir de algumas perspectivas da Filosofia, da Literatura e da Psicologia — notadamente em Rousseau, Tolstoi e em certas compreensões da psicanálise. Mas os imperativos da evangelização e da industrialização em massa foram certamente mais fortes do que esses movimentos.

A autonomia é crítica para a educação do futuro porque é a partir dela que as pessoas conseguem criar coisas novas, para além de reproduzirem coisas velhas. Uma educação heterodirigida — isto é, em que o outro dirige o que eu aprendo — invariavelmente gera pessoas e profissionais mais hábeis em reproduzir do que em criar. E o futuro vem com problemas novos que requerem soluções novas.

3. O que significa aprendizagem autodirigida e como ela se aplicaria ao aprendizado infantil?

Aprendizagem autodirigida significa o aprendiz tomando controle sobre seu próprio processo educacional. Nesse processo, ele define o que quer aprender, como, com quem, quando, onde e por quê. Ele decide se e quando faz sentido participar de iniciativas educacionais formais (por exemplo, cursos), e, mesmo nesses espaços, ele busca preservar ao máximo sua autodireção. Aprender de maneira autodirigida, nesse sentido, é o mesmo que aprender sem se submeter.

Blake Boles, cujo livro “A Arte da Aprendizagem Autodirigida” eu traduzi alguns anos atrás, tem uma definição de aprendizado autodirigido baseada em 4 pilares:

  • Estudar ou praticar algo porque aquilo é importante, significativo ou prazeroso pra você;
  • Buscar proativamente as ajudas e parcerias que você precisa ao longo desse caminho;
  • Definir os próprios critérios de sucesso em relação ao seu aprendizado;
  • Assumir a responsabilidade final pelo resultado de seus esforços.

Quanto mais a aprendizagem se reveste desses quatro princípios, mais ela pode ser chamada de autodirigida.

4. Como pais, professores ou profissionais que lidam com educação de forma abrangente podem incentivar o aprendizado autodirigido?

Uma das coisas mais importantes é não atrapalhar. Infelizmente, pais, professores e profissionais da educação de forma ampla costumam atrapalhar muito com suas intervenções e direcionamentos. É fundamental dar espaço, observar de longe e simplesmente deixar a criança, adolescente ou adulto experimentar as situações da vida — tédio, inclusive. E, em paralelo, desenvolver uma conexão íntima de amizade com o aprendiz para que ele sinta que pode recorrer a você, se necessário.

Outra coisa importante é prestar atenção aos contextos, espaços e relações nos quais a criança, adolescente ou adulto habita. Esses elementos têm o poder de moldar decisões e comportamentos. Se o filho tem pais que gostam muito de ler e livros e revistas por toda a casa, não vai demorar para ele demonstrar interesse em leitura por conta própria, por exemplo. As crianças (e também os adultos) são muito influenciados pelo ambiente e pelas pessoas ao seu redor.

5. Qual foi o papel da criatividade na tua jornada do auto aprendizado?

Foi absolutamente fundamental, dado que minha jornada foi acima de tudo um processo de criação, e não de reprodução. A partir de tudo que absorvi sobre projetos, pessoas, redes, conceitos e práticas que me interessavam, sinto que eu “pari” algo único. A “antropofagia” que ocorreu no momento em que eu escrevia os livros resultantes da minha jornada serve de base até hoje para todos os projetos educacionais nos quais me envolvo. Pra mim, percursos de aprendizagem autodirigidos são análogos a processos de nascimento. E não há nada mais criativo do que uma nova vida que emerge no mundo.

Indique alguma coisa que precisamos passar adiante! (Filme, série, livro, qualquer coisa!)

Sempre indico o livro “Educação democrática: o começo de uma história”, de Yaacov Hecht, um educador israelense que foi pioneiro na criação do movimento das escolas democráticas. No capítulo 3 desse livro, Yaacov criou um modelo para explicar como ocorre a aprendizagem que considero “criadora”. É simplesmente maravilhoso.

* Este artigo do Imagine-me foi revisado por Julio Cunha Neto, do Português de Boa.