5 perguntas, 1 indicação: Solange Moll!

O 5 perguntas e 1 indicação é uma seção do nosso blog em que entrevistamos algumas pessoas que admiramos bastante! A ideia aqui é compartilhar os valores, visões e opiniões de pessoas que usam a criatividade e educação como bases para a sua atuação. Tudo isso para fazer com que as bases de uma educação mais criativa se espalhem cada vez mais, nos mais diferentes contextos.

E a nossa convidada hoje é a Solange Moll! A Sol é psicopedagoga, psicomotricista relacional, mediadora do PEI (Programa de Enriquecimento Instrumental) e professora alfabetizadora. Ela é responsável pela Psicosol, um site onde ela produz conteúdo, jogos e recursos para alfabetização.

Vamos nessa?

Imagine-me: para você, o que é criatividade?

👩 Solange: Criatividade, pra mim, é imaginar possibilidades para resolver problemas. Para isso, geralmente, é preciso pensar “fora da curva”. Agora, nem sempre acertamos de primeira. Às vezes as ideias precisam ser lapidadas e só cria algo quem se arrisca a colocar para fora o que tem em pensamento, o que imaginou. Não dá para se preocupar muito com a opinião alheia.

Imagine-me: o que te fez escolher a psicopedagogia?

👩 Solange: Eu sou filha adotiva ou “de coração” (como alguns preferem). Sempre me destaquei com bons rendimentos escolares e sei que isso muito se deve aos meus pais adotivos que eram excelentes incentivadores e mediadores.

Na idade adulta, quando estava trabalhando como professora, sempre me questionava sobre as dificuldades que alguns alunos apresentavam e sabia que a mediação adequada fazia toda a diferença. Sendo assim, num primeiro momento, a psicopedagogia foi uma busca por mais conhecimento porque eu queria melhorar minha mediação. Mais tarde comecei meus atendimentos em meu próprio consultório.

Imagine-me: Quais foram as suas motivações para dar esse “pulo”, da psicopedagogia para o desenvolvimento de jogos?

👩 Solange: Nesta busca por uma mediação melhor constatei na prática que os jogos lúdicos eram excelentes ferramentas de intervenção. Porém, nem sempre encontrava no mercado o jogo para atender as demandas específicas que eu via acontecer. Sendo assim, comecei a desenvolver meus próprios jogos e a perceber o quanto eles contribuíam com o desenvolvimento das crianças. Então pensei em compartilhar esta experiência com mais pessoas. Primeiro eu mostrava para meus colegas de trabalho e depois comecei a colocar em um blog, que virou site e hoje está aí sendo utilizado em vários lugares do Brasil e fora também como Portugal, Itália, Japão, Inglaterra…

Imagine-me: Em que tipo de jogos você tem trabalhado ultimamente? Pode nos adiantar algo?

👩 Solange: Ultimamente tenho trabalhado em diversos jogos, maaas tem um muito, muito especial! O Cria+: Desvendando Palavras. Este é um jogo que está sendo desenvolvido em parceria com o pessoal da Imagine-me. Acho que vocês já devem ter ouvido falar neles, não é mesmo? … hehe

Imagine-me: Para quem você indica o Cria+: Desvendando Palavras?

👩 Solange: O jogo será indicado para aprendentes em processo de alfabetização a partir de 6 anos. Porém, espero que vocês não se prendam a isso. A idade é mero detalhe quando as palavras de ordem são: imaginação e diversão! Vocês vão amar o jogo! Em breve terão mais notícias. Por enquanto, é só isso que posso falar! Sorry 😉

Atualização: o Cria+: Desvendando palavras! já saiu! 😄

Imagine-me: Indique alguma coisa que precisamos passar adiante! (Filme, série, livro, qualquer coisa!)

👩 Solange: Minha indicação é um livro que amo muito: O menino do dedo verde, escrito por Maurice Druon. Encontrei este livro na biblioteca do meu pai. Simmm, lembra que eu falei que tive excelentes mediadores? Mas, calma! Era assim que chamávamos a estante de livros… hehe. Mesmo assim, tive acesso a muitos livros na minha infância e este foi um que me marcou muito. Conta a história de Tistu, um menino muito curioso e reflexivo. Porém, quando foi mandado para a escola não conseguia se concentrar e acabava dormindo. Por isso, foi expulso! Seus pais, que eram donos de uma fábrica de canhões, o colocaram em um novo sistema de educação. Sua primeira lição foi com o jardineiro Bigode. No dia deste novo sistema ele foi pelo caminho dizendo para si: “Tomara que o sono não venha!”. Ah, gente! A história é linda demais! Tem humor, um certo toque de poesia, nos faz ver a vida por outros ângulos com mais esperança e refletir “fora da curva”. Ops, olha a curva aqui de novo!

Sobre piratas, âncoras e criatividade

Este texto foi escrito especialmente para o blog do Imagine-me pela Fabiana Gutierrez, da Carlotas.


É inegável que 2020 vai ser um ano de muitas mudanças. Mudar assusta, mas traz surpresas. E boas! Basta a gente estar aberto a elas. Dizem por aí que dentro de uma crise sempre há uma oportunidade. Verdade ou não, muitos dos nossos aprendizados vêm pelo erro, por tentar e falhar, por nos encontrarmos em uma situação desconfortável que nos leve à ação. Mas por que esperamos uma crise ou uma situação desconfortável para testar algo novo? O novo – o desconhecido -, muitas vezes, assusta! Preferimos a dor conhecida à insegurança da mudança. No entanto, quando nos aventuramos por esse lugar mágico que é o desconhecido, abrimos oportunidades de viver coisas que nunca imaginamos. 

E o que isso tem a ver com o brincar? TUDO! Na brincadeira, podemos ter um ambiente de experimentação e teste. Fazemos, falhamos, arrumamos e refazemos num espaço no qual o grande foco é a vivência. O brincar nos permite testar diferentes posturas que podem servir de referência em situações cotidianas, ensina-nos a intensidade e a criatividade, a observação e as hipóteses. Durante o brincar, estamos num estado de presença que nos faz focar o aqui e agora e, também por isso, ajuda a interromper fluxos automáticos de rotina que podem resultar em um estado de relaxamento, permitindo-nos sentir diversos benefícios.

Ao longo da nossa jornada para a vida adulta, muitos de nós deixamos de brincar – em diversas instâncias – e, com isso, perdemos recursos importantes para enfrentar situações desafiadoras, transformar crise em oportunidade e se conectar com o outro. 

Falar para brincar pode parecer, para alguns adultos, quase tão assustador quanto andar na prancha de um navio pirata. Por razões diferentes, transitar no universo adulto acaba nos afastando do brincar – esse momento que nos coloca, ao mesmo tempo, num lugar vulnerável de entrega, mas que também nos permite viver experiências de profunda conexão. Infelizmente, como adultos, acabamos nos aproximando cada vez mais da âncora e nos afastamos dos piratas. Ficamos seguros, mas perdemos a aventura. 

Brincar é uma forma real de aprendizagem, estimula a criatividade e a sociabilidade, aumenta o vocabulário e o repertório de vida, ajuda a reconhecer, lidar com as emoções e exercitar a empatia e estreita os vínculos com quem se brinca.

Vários especialistas podem confirmar tudo isso – e revelar muito mais benefícios do brincar. Eu trago tudo isso porque estou há mais de 40 anos brincando, com especialização em monitoria de crianças desde os 14, além de uma imersão de mais de 11 anos nos quais me aventurei na maternidade. Não é sempre que consigo vencer essa batalha entre me agarrar na âncora ou me juntar aos piratas navegando pelos mares, mas sei que vale a pena.  

Espero que você também descubra isso!

Fabiana Gutierrez

Carlotas é um negócio social que cria diálogos sobre a diversidade e promove o respeito e empatia entre as pessoas. Conheça mais em Carlotas.org.


* Este artigo do Imagine-me foi revisado por Julio Cunha Neto, do Português de Boa.