5 perguntas, 1 indicação: Tiago Henriques!

O 5 perguntas e 1 indicação é uma seção do nosso blog em que entrevistamos algumas pessoas que admiramos bastante! A ideia aqui é compartilhar os valores, visões e opiniões de pessoas que usam a criatividade e educação como bases para a sua atuação. Tudo isso para fazer com que as bases de uma educação mais criativa se espalhem cada vez mais, nos mais diferentes contextos.

E o nosso convidado é o Tiago Henriques, criador de conteúdo e educador no projeto Tira do papel. No projeto, Tiago cria explicações visuais que ajudam pessoas a tirarem seus projetos do papel e fazer acontecer! Nas palavras do mesmo: “Nem ‘vai lá e faz’ nem frases motivacionais – acredito no equilíbrio de botar a mão na massa e encontrar um ritmo saudável de criação que respeite sua rotina e sua saúde mental”. 

Vamos lá!

1. Para você, o que é criatividade?

Conectar (ou combinar) ideias para resolver problemas (ou desafios).
Ou seja, é algo praticável e que pode ser atribuido a muitas áreas da vida.
De pintar um quadro a vender. De negociar seu salário a cozinhar 🙂

2. O quão importante a criatividade foi (ou ainda é!) na sua jornada até aqui?

Sempre foi e sempre será 😀
Nós lidamos com problemas todo dia – eles não somem, apenas mudam.
Ou seja, sempre precisaremos conectar ideias para resolvê-los (minha definição de criatividade).

O real desafio criativo é decidir:
– que tipo de problemas escolhemos resolver para nossa vida?
– como resolvê-los de uma forma mais alinhada com meus valores e objetivos?

3. Você é uma pessoa que já passou por experiências significativas, como mudar de país e de carreira. Como essas mudanças levaram à criação do Tira do Papel?

As mudanças pelas quais eu passei serviram como testes 🙂
Se eu não tivesse testado empregos diferentes, cargos diferentes e conhecido pessoas diferentes eu não validaria nada. Eu teria apenas uma série de suposições e incertezas sobre o que gosto e não gosto de fazer 🙂

Os erros no trajeto tiveram tanto valor (ou mais) que os acertos. O Tira do papel foi um projeto paralelo onde busquei reunir (muitas!) coisas que eu validei que curtia.

4. Você fala bastante em criar conteúdo respeitando a saúde mental de cada um, sem se pressionar demais. Na sua opinião, como podemos evitar o sentimento de “não estou criando o suficiente para o meu público”?

Se nosso processo não for sustentável, ele vai, por definição, destruir nosso projeto.  Por isso, essa pergunta ajuda:

“O que eu consigo criar de forma sustentável hoje?”

Independente do ‘suficiente’. Independente do que me dizem que eu deveria estar fazendo. Mesmo sabendo que (ainda!) não é onde você gostaria de chegar um dia. Quando inserimos o hábito de criar, tudo flui mais fácil. Aumentar a carga se torna possível.

Para mim, é sempre questão de criar um processo sustentável e que te faça gostar de fazer o que você faz. Você não está perdendo tempo mesmo que esteja criando menos do que você considera suficiente. Está apenas construindo uma base forte para poder chegar lá de forma sustentável. Essa base vai aguentar o prédio que você quer construir. Muita gente pula isso – e o prédio cai.

5. Tiago, nos diga: qual é o segredo para ser uma pessoa criativa de maneira constante?

Usando as mesmas palavras da pergunta: “Criando com constância.” Essa resposta é óbvia? Sim! Mas demanda investimento de tempo. Logo, é exatamente o que quem tem esse desafio não quer ouvir. Ela entra para a lista de ‘conceitos óbvios que a maioria das pessoas não colocam em ação’.

Muita gente espera uma solução ‘sexy’ e contraintuitiva. Algo que vá acelerar o processo. Mas resultados incríveis, na maioria das vezes, vêm de conceitos super simples executados com constância x tempo.

Pra finalizar, indique alguma coisa que precisamos passar adiante! (Filme, série, livro, qualquer coisa!)

Se você curte ler, o livro hábitos atômicos e qualquer newsletter ou artigo do James Clear me inspiram 🙂

Se você curte escutar, o podcast do seanwes teve grande influência na minha carreira

Se você curte assistir, os vídeos do Ali Abdaal são muito enriquecedores

5 perguntas, 1 indicação: Alex Bretas!

O 5 perguntas e 1 indicação é uma seção do nosso blog em que entrevistamos algumas pessoas que admiramos bastante! A ideia aqui é compartilhar os valores, visões e opiniões de pessoas que usam a criatividade e educação como bases para a sua atuação. Tudo isso para fazer com que as bases de uma educação mais criativa se espalhem cada vez mais, nos mais diferentes contextos.

E o nosso convidado é o Alex Bretas! Mineiro, escritor, designer de comunidades de aprendizagem autodirigida e cantor nas horas vagas, o Alex trabalha e estuda aprendizagem autodirigida e novas formas de aprendizagem. Lançou dois livros: “Doutorado Informal” e “Kit Educação Fora da Caixa”. Hoje, ajuda as pessoas a ter foco, persistir e encontrar tempo na sua rotina para aprender.

1. Para você, o que é criatividade?

Recentemente, lancei junto com outros três coautores (Alexandre Santille, Conrado Schlochauer e Tonia Casarin) o livro “Core Skills: 10 habilidades essenciais para um mundo em transformação”. Um dos capítulos aborda a criatividade. Gosto bastante do conceito que desenvolvemos lá, que diz que ser criativo é a capacidade de enxergar o invisível a partir de combinações inesperadas entre as coisas. A pessoa criativa desenvolve um repertório rico e diverso o suficiente para possibilitar uma “rede de perambulações mentais” que leva à inovação. Além disso, ela entende como funciona seu próprio processo criativo e está conectada a alguma fonte de motivação intrínseca — isto é, algo que a energiza e a faz levantar da cama todos os dias. A criatividade é muito mais provável de emergir quando estamos realizando algo porque queremos e/ou porque faz sentido, em vez de estarmos obedecendo ao comando de alguém.

2. Hoje em dia se fala muito na autonomia como um dos pilares da educação. Na sua visão, que elementos ao longo da história do desenvolvimento dos nossos modelos de educação levaram a essa conclusão? E qual será o papel da autonomia na educação do futuro?

Um primeiro ponto importante é que a autonomia nos processos educacionais é muito mais falada do que praticada de fato. E isso ocorre porque estamos vivendo uma inércia sem precedentes em nossos sistemas de educação: desde o século XVIII, métodos como aulas expositivas, provas escritas e punições e recompensas vêm sendo utilizados. A visão baseada na autonomia e na liberdade das pessoas em perseguirem seus próprios objetivos de aprendizado se fortaleceu a partir de algumas perspectivas da Filosofia, da Literatura e da Psicologia — notadamente em Rousseau, Tolstoi e em certas compreensões da psicanálise. Mas os imperativos da evangelização e da industrialização em massa foram certamente mais fortes do que esses movimentos.

A autonomia é crítica para a educação do futuro porque é a partir dela que as pessoas conseguem criar coisas novas, para além de reproduzirem coisas velhas. Uma educação heterodirigida — isto é, em que o outro dirige o que eu aprendo — invariavelmente gera pessoas e profissionais mais hábeis em reproduzir do que em criar. E o futuro vem com problemas novos que requerem soluções novas.

3. O que significa aprendizagem autodirigida e como ela se aplicaria ao aprendizado infantil?

Aprendizagem autodirigida significa o aprendiz tomando controle sobre seu próprio processo educacional. Nesse processo, ele define o que quer aprender, como, com quem, quando, onde e por quê. Ele decide se e quando faz sentido participar de iniciativas educacionais formais (por exemplo, cursos), e, mesmo nesses espaços, ele busca preservar ao máximo sua autodireção. Aprender de maneira autodirigida, nesse sentido, é o mesmo que aprender sem se submeter.

Blake Boles, cujo livro “A Arte da Aprendizagem Autodirigida” eu traduzi alguns anos atrás, tem uma definição de aprendizado autodirigido baseada em 4 pilares:

  • Estudar ou praticar algo porque aquilo é importante, significativo ou prazeroso pra você;
  • Buscar proativamente as ajudas e parcerias que você precisa ao longo desse caminho;
  • Definir os próprios critérios de sucesso em relação ao seu aprendizado;
  • Assumir a responsabilidade final pelo resultado de seus esforços.

Quanto mais a aprendizagem se reveste desses quatro princípios, mais ela pode ser chamada de autodirigida.

4. Como pais, professores ou profissionais que lidam com educação de forma abrangente podem incentivar o aprendizado autodirigido?

Uma das coisas mais importantes é não atrapalhar. Infelizmente, pais, professores e profissionais da educação de forma ampla costumam atrapalhar muito com suas intervenções e direcionamentos. É fundamental dar espaço, observar de longe e simplesmente deixar a criança, adolescente ou adulto experimentar as situações da vida — tédio, inclusive. E, em paralelo, desenvolver uma conexão íntima de amizade com o aprendiz para que ele sinta que pode recorrer a você, se necessário.

Outra coisa importante é prestar atenção aos contextos, espaços e relações nos quais a criança, adolescente ou adulto habita. Esses elementos têm o poder de moldar decisões e comportamentos. Se o filho tem pais que gostam muito de ler e livros e revistas por toda a casa, não vai demorar para ele demonstrar interesse em leitura por conta própria, por exemplo. As crianças (e também os adultos) são muito influenciados pelo ambiente e pelas pessoas ao seu redor.

5. Qual foi o papel da criatividade na tua jornada do auto aprendizado?

Foi absolutamente fundamental, dado que minha jornada foi acima de tudo um processo de criação, e não de reprodução. A partir de tudo que absorvi sobre projetos, pessoas, redes, conceitos e práticas que me interessavam, sinto que eu “pari” algo único. A “antropofagia” que ocorreu no momento em que eu escrevia os livros resultantes da minha jornada serve de base até hoje para todos os projetos educacionais nos quais me envolvo. Pra mim, percursos de aprendizagem autodirigidos são análogos a processos de nascimento. E não há nada mais criativo do que uma nova vida que emerge no mundo.

Indique alguma coisa que precisamos passar adiante! (Filme, série, livro, qualquer coisa!)

Sempre indico o livro “Educação democrática: o começo de uma história”, de Yaacov Hecht, um educador israelense que foi pioneiro na criação do movimento das escolas democráticas. No capítulo 3 desse livro, Yaacov criou um modelo para explicar como ocorre a aprendizagem que considero “criadora”. É simplesmente maravilhoso.

* Este artigo do Imagine-me foi revisado por Julio Cunha Neto, do Português de Boa.

5 perguntas, 1 indicação: Felipe Zamana!

O 5 perguntas e 1 indicação é uma seção do nosso blog em que entrevistamos algumas pessoas que admiramos bastante! A ideia aqui é compartilhar os valores, visões e opiniões de pessoas que usam a criatividade e a educação como princípios da sua atividade. Tudo isso para fazer com que as bases de uma educação mais criativa se espalhem cada vez mais, nos mais diferentes contextos.

E o nosso convidado desta vez é o Felipe Zamana! Ele é coordenador pedagógico e líder nacional (Portugal) do World Creativity Day e fundador do Criatividade a Sério. É professor de criatividade, pesquisador acadêmico e palestrante TEDx. Atualmente, dedica-se a explorar processos criativos, criatividade aplicada à educação, ao crescimento e desenvolvimento pessoal e, em breve, publicará seu primeiro livro sobre criatividade.

Vamos lá!

1. Para você, o que é criatividade?

A criatividade é um fenômeno social que vai do micro para o macro, do presente para o futuro. Ela começa na nossa cabeça, nas nossas próprias ideias; quando toma forma, ela é apresentada para o grupo de pessoas em que aquela ideia se encaixa, e, então, essas pessoas irão avaliar se a ideia é realmente criativa (ou seja, se é nova, relevante e gerou valor para elas). Como não podemos mudar o passado, trabalhamos no presente para moldar o futuro.

2. A criatividade é um assunto que recebe bastante atenção atualmente. Mas, junto com toda essa exposição, vem muita desinformação. Quais são os mitos mais comuns relacionados à criatividade?

Na maioria das vezes, esses mitos nada mais são do que antigas definições de criatividade. Ou seja, crenças comuns do que se acreditava ser a manifestação criativa antigamente. Acreditava-se que a criatividade surgia através da inspiração divina, por exemplo. Posteriormente, com os estudos da inteligência no início do século XIX, a criatividade passou a ser vista como loucura, talento inato ou até mesmo genialidade, com uma linha muito tênue separando-as.

Hoje em dia, com a sua popularização, surgiram novos mitos que são repetidos como mantras por cada vez mais “especialistas”, perpetuando a desinformação. O maior problema dos mitos modernos da criatividade é que são compostos por meias-verdades, ou seja, abordam apenas parte do que realmente a criatividade representa, e por isso se tornam tão tentadores de se acreditar. Por exemplo, é muito falado que a criatividade é uma “habilidade e/ou ferramenta para solucionar problemas”. Nessa frase aparentemente inofensiva, habitam nada menos do que três mitos modernos da criatividade. Não vou dizer quais são para provocá-lo a refletir (sim, vou mesmo fazer isso!).

3. Como eu posso descobrir qual é o meu tipo de criatividade?

A melhor maneira para descobrir qual é o seu tipo de criatividade é por meio do autoestudo. Apenas entendendo como você funciona e como te dá maior prazer ao criar é que poderá descobrir como a sua atitude criadora se manifesta. Perceba que falei aqui em atitude “criadora”, e não “criativa”. Quem vai decidir se a sua criação é criativa ou não é o grupo no qual ela está inserida.

4. A partir do conhecimento do meu tipo de criatividade, como posso maximizar o meu potencial criativo?

Ao entender como você funciona e qual é a melhor maneira para criar, é possível tornar o processo criativo muito mais prazeroso e, consequentemente, mais produtivo. Se você se diverte ao criar seja o que for, é natural que a qualidade do produto final da sua criação seja superior, pois aquilo te deu prazer ao fazer. Porém, para chegarmos a esse nível de criar com prazer, é preciso nos entender muito bem, ou seja, conhecer todas as peças do motor e seu funcionamento, e não só dirigir o carro.

5. Muito se fala sobre mudanças na relação entre máquinas e pessoas no futuro, em que máquinas irão “roubar” os empregos de muitas pessoas. Na sua opinião, qual será a importância da criatividade como atributo de diferenciação profissional no futuro em comparação ao que acontece hoje?

Atualmente vivemos uma realidade industrial: linear, repetitiva, segmentada e previsível. Consequentemente, a maioria dos empregos que temos hoje é fruto desse tipo de pensamento: que são facilmente substituíveis por uma máquina – que tem capacidade de executar aquela função com maior precisão, segurança e produtividade do que qualquer ser humano. Isso é ótimo, porque nenhum ser humano se sente realizado, útil e relevante num trabalho assim. Para nos sentirmos realizados, úteis e relevantes, precisamos de liberdade para criar, sermos capazes de dar asas para nossa própria imaginação. Só assim seremos realmente felizes e satisfeitos em nossas vidas.

O ser humano é naturalmente criador. Por isso, não me impressiona que estejamos substituindo essas funções repetitivas e monótonas por máquinas. Entretanto, não há por que temê-las, pois elas nos substituirão apenas nessas funções. Qualquer função que exija criatividade e uma visão mais generalista de mundo, que consiga integrar e relacionar diferentes áreas, dificilmente será substituída por uma máquina. Investir na criatividade é investir naquilo que nos faz humanos, sendo a melhor aposta para o profissional do futuro.

Indique alguma coisa que precisamos passar adiante! (Filme, série, livro, qualquer coisa!)

Os livros do Austin Kleon (@austinkleon)

Documentário Everything is a Remix, do Kirby Ferguson (disponível no Youtube)

A Universidade Criativa, por onde lançarei um curso sobre Criatividade em breve 😉 (@universidade.criativa)

* Este artigo do Imagine-me foi revisado por Julio Cunha Neto, do Português de Boa.

5 perguntas, 1 indicação: Manuela Bisognin Custódio!

O 5 perguntas e 1 indicação é uma seção do nosso blog em que entrevistamos pessoas que admiramos bastante! A ideia aqui é compartilhar os valores, visões e opiniões de quem usa a criatividade e a educação como pontos-chaves para a sua atuação. Tudo isso para fazer com que as bases de uma educação mais criativa se espalhem cada vez mais, nos mais diferentes contextos.

E a nossa convidada de hoje é a Manuela Bisognin Custódio! A Manuela é professora, mãe, empreendedora, curiosa e “desacomodada”, como ela mesmo diz. (Hahaha!) Formada em Letras – Inglês, Mestre em Ensino de Línguas e Especialista em TIC Aplicadas à Educação, ela já trabalhou com ensino de língua inglesa para pré-adolescentes, adolescentes e adultos, em vários ambientes – escola, curso livre e pré-vestibular, por exemplo. Hoje, Manuela é professora do curso de Letras da Universidade Franciscana, em Santa Maria – RS (onde trabalha na formação de futuros professores) e sócia/diretora/professora da Escola de Idiomas PBF, da Fundação Fisk – também em Santa Maria. Vamos lá!

1. Para você, o que é criatividade?

Para mim, criatividade é o exercício de nossas habilidades de inspiração, inovação, autenticidade e transformação. É a maneira com a qual eu me reinvento em cada situação, a partir da minha visão de mundo. Penso que a curiosidade, o timing e a experiência permitem colocar tua criatividade em prática.

2. Como ser mais criativo no dia a dia?

No dia a dia, precisamos estimular nossas habilidades. Precisamos olhar o que nos cerca de forma mais inspiradora e, para cada momento, sermos mais intuitivos, curiosos, autênticos. Cada situação te permitirá e exigirá uma reação diferente, e é aí que a gente se reinventa. A vontade de se adaptar, de não se acomodar – aliada à busca, pesquisa e estudo – leva-nos à criatividade. 

3. Você acha que aprender um idioma novo tem impacto no potencial criativo da pessoa?

Muito! Aprender idiomas te permite conhecer outras culturas, costumes, mundos e visões diferentes. Assim como a criatividade é fundamental para estimular o interesse do aluno e motivar seu aprendizado, o idioma te proporciona acessar mais informações, aumentando o teu repertório e permitindo fazer mais associações!

4. Como atividades lúdicas impactam o aprendizado dos alunos?

Muitas pessoas pensam que ludicidade é “coisa de criança”, mas quem não adora uma dinâmica ou atividade diferente em sala de aula?! Não existe idade limite para estimular a aprendizagem, ainda mais se for mais dinâmica e próxima da realidade do aluno. Tanto alunos quanto professores conseguem visualizar melhor o que estão aprendendo ou estudando por meio de atividades mais leves, cheias de objetivos e significados, porém criativas, “diferentes” do tradicional. Elas te tiram do teu ponto de referência e estimulam ainda mais o exercício mental. 

5. Quais atividades você recomenda para os pais utilizarem em casa como forma de complementar o aprendizado do inglês da escola ou do curso?

Como professora, eu recomendaria diversas atividades, apps, livros… Agora, como mãe que tenta fazer os filhos de cobaia e professora, eu recomendo que os pais busquem inserir o idioma na rotina da casa. Seja ao assistir a desenhos e filmes, ao ouvir músicas, ler pequenas histórias ou até mesmo nas atividades mais essenciais, como chamar para almoçar, “mandar” para o banho, pedir que lave a louça ou que faça as tarefas da escola. Falar sobre viagens, países e culturas, mesmo que em português, mexe com a curiosidade! Tentem mostrar o idioma de forma natural, sem pressão, correção ou estudo de regras. Deixem que o idioma, seja ele qual for, apareça naturalmente na rotina. 

Indique alguma coisa que precisamos passar adiante (Filme, série, livro, qualquer coisa)!

Para estudar idiomas e conhecer o mundão aí fora, nada melhor do que ir à fonte! Tem perfis muito legais de nativos que nos dão verdadeiras aulas!!

Um perfil que super indico é do @talktoross. Irlandês apaixonado pelo Brasil, ele dá show ao falar de história, cultura e curiosidades. Um jeito diferente de aprender a aprimorar o idioma, sem focar o estudo mais tradicional da língua.

Para quem prefere perfis sobre pontos específicos da gramática da língua inglesa, indico o @corkenglishteacher. O John é uma mistura de gramática ambulante, com aplicação do inglês no dia a dia. Ambos têm canal no Youtube também. 

* Este artigo do Imagine-me foi revisado por Julio Cunha Neto, do Português de Boa.

5 perguntas, 1 indicação: Rafael Martins!

O 5 perguntas e 1 indicação é uma seção do nosso blog em que entrevistamos pessoas que admiramos bastante! A ideia aqui é compartilhar os valores, visões e opiniões de quem usa a criatividade e a educação como bases para transformar a sociedade. São exemplos que podem inspirar mais gente, nos mais diferentes contextos.

Nosso segundo entrevistado (se você não leu o primeiro 5 perguntas, 1 indicação, com a profa. de matemática Maria Cláudia, veja aqui – depois de ler este, claro ;)) é o Rafael Martins, CEO e co-fundador do Share, uma empresa de educação em comunicação. Colunista em diversos veículos nacionais especializados, o Rafa estuda profundamente o mercado de comunicação no Brasil e no mundo, participando ativamente dos maiores eventos de comunicação globais e também palestra em diversos eventos e para algumas das maiores empresas e agências do mercado, como Twitter, Facebook, Nubank, McDonalds, Globo, Redbull, Grupo RBS, Bradesco, 99, Pinterest, entre tantas outras.

No nosso papo, o Rafa falou como ele aborda a criatividade no dia a dia e nas atividades educativas do Share. Tiramos alguns insights muito interessantes sobre como aplicar o potencial criativo das pessoas – independentemente do contexto! Olha só:

1. Para você, o que é criatividade?

Criatividade é sobre sobrevivência, temos que ser criativos o tempo todo para resolver problemas, achar soluções. Não só no trabalho, mas na nossa vida pessoal.

2. O que você faz para exercitar a sua criatividade e com que frequência?

Para mim, criatividade é sobre repertório e método. Por isso tento estudar muitos temas que não necessariamente são de meu interesse para aumentar minha visão sobre diversos assuntos e que isso me dê repertório para, quando precisar ser criativo, achar soluções. Acompanho perfis no Instagram bem criativos, pessoas e perfis de marca também.

3. Como a criatividade está presente no seu dia a dia como empresário?

Como empresário preciso ser diariamente criativo para criar novos produtos, soluções, resolver problemas, surpreender os clientes, pensar no crescimento da empresa, na gestão das pessoas e em tudo que envolve a comunicação da marca. Ser criativo é um skill vital para qualquer um que empreende.

4. O Share é um negócio voltado a educação em comunicação. Como surgiu esse foco?

Surgiu da necessidade de ter um formato de educação bem focado em método de ensino, curadoria e ser algo mais leve e marcante. Quando começamos, o marketing digital estava surgindo no Brasil, existiam poucos players, muitos deles com foco mais comercial e mais tradicionais. Entendemos que existia uma oportunidade para uma empresa nova nesse segmento, que trouxesse uma forma mais divertida de levar conteúdo para os profissionais.

5. Como você acha que será a relevância da criatividade para o futuro das profissões, especialmente as ligadas à comunicação?

É importante desmistificar que criatividade é um dom ou uma atividade de um profissional específico. Para muitos, é uma atividade de publicitários, mas formas criativas de levar uma mensagem são vitais para uma comunicação cada vez mais rápida, com pouca atenção das pessoas e muitos formatos pipocando o tempo todo em nossa frente. Ser criativo nesse cenário é vital, pois na maioria das vezes nossos olhos prestam atenção em algo que nunca viram. 

Ainda: diversos institutos de pesquisa já mostram que criatividade é uma das skills mais necessárias para um profissional contemporâneo e que traz ótimos resultados, pois é no dia a dia que ele precisa trazer resultados, onde a criatividade se faz mais necessária. Por isso, estudar métodos criativos, aumentar seu repertório, inspirar-se em pessoas, perfis e campanhas pode ajudar qualquer profissional. 

Indique alguma coisa que precisamos passar adiante (Filme, série, livro… Qualquer coisa!).

Sigam estes perfis no Instagram:

@pablo.rochat

@unnecessaryinventions

@superwrongmagazine

@saquinhodelixo

* Este artigo do Imagine-me foi revisado por Julio Cunha Neto, do Português de Boa.

5 perguntas, 1 indicação: Maria Claudia!

O 5 perguntas e 1 indicação é uma seção do nosso blog em que entrevistamos pessoas que admiramos bastante! A ideia aqui é compartilhar os valores, visões e opiniões de quem usa a criatividade e a educação como bases para transformar a sociedade. São exemplos que podem inspirar mais gente, nos mais diferentes contextos.

A nossa primeira convidada é a Maria Cláudia Schmitt Araujo, professora de matemática do Colégio Sagrada Família e da Escola Internacional UNISOCIESC, além de mestranda da UFSC – tudo isso em Blumenau, Santa Catarina. Conversamos um pouco com ela sobre a aplicação da criatividade e de recursos pedagógicos diferenciados na sala de aula (e na matemática!). O papo foi muito interessante, olha só:

1. Para você, o que é criatividade?

Criatividade é um pouco da maneira como você enxerga as coisas: talvez minha maneira de ser criativa pode ser diferente da sua… e, ao mesmo, tempo é tentar – não inovar! – mas fazer algo diferente. Acho que criatividade é você se reinventar um pouco, pensar de maneira diferente e criar algo novo pra você.

2. Como a criatividade entra no dia a dia da sala de aula?

Pro professor, durante toda a aula. Desde o planejamento, quando ele começa a pensar em algo diferente pra introduzir um conteúdo novo, algo mais contextualizado… algo pra prender a atenção do aluno. Também precisa ser criativo na hora que vai passar isso pros alunos, porque você pode planejar de uma maneira, mas o jeito com que você fala – que você age com seus alunos – não passa a mesma ideia do que você planejou.

Na hora de avaliar os alunos, também: seja avaliar por meio de uma avaliação mesmo, como uma prova, ou por meio de um trabalho, ou até avaliação diária. Se os alunos realmente entenderam o conteúdo, você tem que ter uma maneira diferente de verificar isso com eles. E, também, no pós-aula, que é quando você reflete se aquilo realmente atingiu o objetivo que você queria ou se precisa mudar para a próxima aula. Enfim: como isso vai interferir no andamento das suas aulas.

3. Quais recursos pedagógicos você usa nas suas aulas?

Na matemática, a gente acaba de alguma maneira se apegando ao tradicional. Mas eu tento sempre trazer os conteúdos para a realidade. Meus alunos dão risada porque todos os exemplos que eu dou, em todo e qualquer conteúdo, tem comida: bolo, pizza, bala, chocolate… Independente se é fração, se a gente tá falando de geometria, trabalhando com múltiplos… Em qualquer conteúdo eu envolvo comida – uma coisa minha, quase uma marca registrada! Eu sou um pouco apegada com o quadro, então tenho muito costume de manter o registro em quadro, caderno… 

Em matemática, por mais que você traga algo diferenciado, é no exercício que o aluno vê se ele realmente entendeu e você pode transformar esse exercício de uma maneira diferente.

As provas deles, por exemplo, costumam ter situações das quais a gente falou em sala de aula e até brincadeiras nossas. Em vez de usar nomes aleatórios, eu procuro sempre usar o nome deles. Então, eles se identificam e dão risada durante a prova porque eles estão ali. 

Além disso, no Sagrada Família cada aluno recebe [para uso em sala de aula] um Chromebook. Então, questões de pesquisa facilitam um pouco, e fazemos também a avaliação por meio do computador, com formulário do Google. Conteúdos mais teóricos, que são mais chatinhos de avaliar com eles, eu faço dessa forma pra ficar um pouquinho diferente. A gente tem a cozinha à disposição, então também tentamos fazer algumas aulas de culinária dentro do conteúdo. Exemplo: se estamos trabalhando medidas de massa, vamos à cozinha fazer uma receita em que você precisa usar a balança, em que você vai pensar em quilogramas, gramas, e assim por diante. 

Mas eu acho que você tendo VOCÊ e sabendo usar isso a seu favor já é um recurso excelente! O aluno precisa de algo que prenda a atenção dele, então às vezes você tem à sua disposição mil e uma coisas diferentes, mas a sua aula não prende, não fascina, não desperta nada.

E às vezes com o mínimo de recurso você transforma sua aula em algo que para os alunos é extraordinário.

Eu sou bem do simples, do “menos é mais”, e procuro atender a atenção deles nesse ponto. Quando eu vejo que tá muito monótono, que eles estão muito quietos, eu grito mesmo! [Risos] Eu dou uns gritos, pra ver se tá todo mundo acordado, se tá todo mundo bem. Alguns dão uns pulos da cadeira, mas eles já estão acostumados. [Risos] Então, eles sabem que aquele momento é pra ver se tá todo mundo realmente prestando atenção.

4. Dá pra exercitar a criatividade ensinando (e aprendendo) matemática, então?

Ensinando, sim, e aprendendo, também! A gente costuma, principalmente em resolução de problemas, tentar ver se tem mais de uma maneira [de resolver o problema]: “Eu só posso responder dessa maneira? Eu posso fazer de outra?” Ou, às vezes, o simples fato de tu perguntares pra eles: “Beleza, estamos vendo multiplicação.. onde que vocês já viram multiplicação na vida de vocês? Onde podemos usar? A gente pode não usar, mas será que alguém tá usando nesse momento em alguma coisa?.” Trazer essa reflexão do dia a dia e procurar a aplicação já é um meio de criatividade. Procurar sempre as maneiras diferentes de resolver um problema também é uma forma de ser criativo, né?

5. Quais são as tendências atuais que você observa com relação a recursos pedagógicos que fomentem práticas criativas em sala de aula?

Tá cada vez mais difícil prender a atenção do aluno. Eles têm à disposição muita coisa e, hoje em dia, tu fazes qualquer coisa com teu celular – e eles, cada vez mais cedo, têm acesso a isso. Em sala de aula, os alunos perdem o interesse muito rápido, questionam cada vez mais cedo. É o clássico “por que eu tenho que aprender isso?” ou “onde eu vou usar isso na minha vida?”. Então, eu acho que uma tendência atual é cada vez mais trazer teus conteúdos pra realidade.

Instigar, despertar o interesse do aluno, acho que isso é uma das coisas mais difíceis por conta desse acesso muito fácil a tudo quanto é tipo de informação.

Hoje também eles te enfrentam, questionam mais. Então, uma coisa que funciona é tu trazê-los para a tecnologia. O simples fato de eu transformar uma prova do papel para o computador, pra eles, já é algo impressionante! Traz uma atenção maior. Muitas vezes é exatamente a mesma coisa, mas o fato de eles não precisarem escrever no papel e, sim, olhar na tela do computador já é diferente. 

O que eu tenho sentido agora com essa situação que a gente tá vivendo, essa questão de quarentena e aulas remotas, é o quanto é importante a gente concentrar os conteúdos e realmente passar o necessário pra eles.

Se já é difícil prender a atenção deles em sala de aula – em que você está, chama a atenção, traz ele pra perto, pergunta, instiga e estimula a participação -, com as aulas remotas é muito mais difícil! Eles aguentam ficar cinco, seis horas direto maratonando séries, mas não aguentam ficar 40 minutos escutando explicação do professor. Então, de alguma maneira, tu tens que trazer isso mais pra perto deles também, é um novo desafio. Quanto mais conseguirmos entrar no universo deles, melhor pra gente e pro aprendizado deles, também.

Indique alguma coisa que precisamos passar adiante! (Filme, série, livro, qualquer coisa!)

Apesar de ser um filme antigo, mas principalmente por esse momento que a gente tá vivendo, é bem importante (e eu gosto bastante!) o filme Divertidamente! A gente tem que entender que quando a gente não tá bem, tá tudo bem também! E que temos que extrair – até das coisas ruins – bons ensinamentos pra gente viver em paz. Essa seria minha indicação pra entendermos um pouquinho melhor como funciona a nossa cabeça e entender que, às vezes, vai tá tudo bem, vai tá tudo bom, às vezes não vai… Todo mundo erra, todo mundo tem dias mais tristes, tem arrependimentos maiores e a gente tem que aprender a viver com tudo isso.

* Este artigo do Imagine-me foi revisado por Julio Cunha Neto, do Português de Boa.