Como a tecnologia afeta o desenvolvimento infantil?

A tecnologia faz parte das nossas vidas. Vivemos em uma era em que quase não temos uma separação da vida real e vida digital. E tudo isso teve um grande aumento com a chegada da pandemia da Covid-19, em 2020, quando grande parte das empresas e soluções se tornaram digitais. Passamos a usar o delivery com maior frequência, a educação se tornou remota e algumas profissões também. 

O uso da tecnologia é um ponto de atenção para todas as idades!

Nós podemos ter uma ideia, afinal ela impacta também a saúde dos adultos. O que difere o uso saudável ou não da tecnologia, sem dúvidas, é o tempo de uso. Administrar o tempo dedicado às telas é um desafio para todas as idades. 

No Brasil, segundo dados do IBGE, 3 em cada 4 brasileiros possuem acesso à internet. Isso significa que nem todos possuem acesso, mas grande parte das pessoas já estão conectadas, o que torna praticamente impossível deixar as crianças distantes do mundo digital. 

Quando expor as crianças à tecnologia? 

Algumas pesquisas realizadas pela Academia Americana de Pediatria indicam que algumas crianças já recebem o seu primeiro dispositivo antes dos 4 anos, mesmo que para utilizá-los com a supervisão dos responsáveis. 

As recomendações da Academia Americana de Pediatria e também da Sociedade Brasileira de Pediatria são baseadas em estudos e comprovam que antes dos dois anos de idade, as crianças ainda estão em um processo de desenvolvimento na exploração prática e nas interações sociais, o que poderiam ser facilmente prejudicadas com o uso das telas. 

Recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria: 

  • Evitar a exposição de crianças menores de dois anos às telas, mesmo que passivamente;
  • Limitar o tempo de telas ao máximo de uma hora por dia, sempre com supervisão para crianças com idades entre dois e cinco anos;
  • Limitar o tempo de telas ao máximo de uma ou duas horas por dia, sempre com supervisão para crianças com idades entre seis e 10 anos;
  • Limitar o tempo de telas e jogos de videogames a duas ou três horas por dia, sempre com supervisão; nunca “virar a noite” jogando para adolescentes com idades entre 11 e 18 anos.

A importância do equilíbrio e das permissões

O acesso ao celular, tablet e computador pode muitas vezes representar um momento de descanso para os pais, que estão cansados e precisam às vezes de um momento para uma reunião no trabalho em home office, por exemplo. Realmente o uso de recursos em vídeo e jogos pode contribuir para o entretenimento das crianças por alguns minutos, mas de qualquer forma precisamos entender que este acesso exige um equilíbrio e dosar esse acesso é responsabilidade dos adultos.  

Como proporcionar equilíbrio no acesso à tecnologia?

  • Estabeleça em família os momentos em que dispositivos tecnológicos não serão bem vindos, como: refeições, momentos antes de ir dormir, durante uma atividade escolar, logo ao acordar. 
  • Faça combinados e crie regrinhas para que o diálogo seja bem claro: qual é o tempo permitido por dia? Quais são os sites e aplicativos disponíveis? Qual é o momento do dia que a criança poderá utilizar o aparelho? 
  • Incentive atividades e momentos que fujam da tecnologia: caminhada ao ar livre, brinquedos e jogos que não tenham interação com o mundo digital, reforce momentos divertidos e que as crianças gostem de fazer fora das telas. 

Para concluir, não podemos ignorar que o avanço da tecnologia está cada vez mais ágil e dentro das nossas vidas. Por mais que a gente tenha um cuidado e atenção redobrados, a tecnologia também faz parte da vida dos pequenos. O melhor que podemos fazer é cuidar para que o início ao acesso não seja tão precoce e que o exagero não faça parte dessa relação. 

A internet está repleta de conteúdos educativos que podem servir de entretenimento, mas a nossa tarefa é administrar para que isso aconteça de forma leve e em pequenas doses. 

Fonte:  Sociedade Brasileira de Pediatria 

Imagem: Freepik