Queremos um mundo mais criativo, vamos juntos?

A história do Imagine-me começa ainda em 2015, a partir do relato de uma mãe preocupada com a auto-expressão do seu filho na escola. Nesse colégio, através do relato dessa mãe, soubemos que não era permitido às crianças levarem brinquedos de suas casas à escola durante os períodos de brincadeira. A justificativa era que, se fosse permitido, a escola estaria incentivando o consumismo entre os coleguinhas. Entendemos essa razão, mas, assim como essa mãe, pensamos… será que não haveria uma maneira de possibilitar essa auto-expressão da criança sem trazer junto os aspectos do consumismo? Tem que existir! 

Como podemos permitir que a criança use seu brinquedo como forma de expressão e afirmação com seus colegas, mas sem o apelo comercial ou consumista? 

Como designers, esse foi o desafio que propusemos a nós mesmos. E foi a partir das várias fontes que consultamos e pessoas da área com quem falamos a partir disso que constatamos o quão importante era trabalharmos para possibilitar ambientes (e não só a escola) em que as crianças possam realmente e autenticamente expressar-se através de brinquedos. Mas não brinquedos já prontos da fábrica, e sim jogos, bonecos e aventuras de sua própria autoria. E esse foi o ponto de surgimento original do que viria a ser o Imagine-me:

Ao invés das crianças consumirem passivamente os heróis e histórias prontos, por que não criar os seus próprios?

Com essa pré-solução possível ao desafio que havíamos formulado, colocamos nossa criatividade para funcionar. Depois de 6 meses, aplicando o método de design e contando com a ajuda de muitas pessoas fantásticas (entre pedagogos, psicólogos e professores), criamos o Imagine-me. Tivemos a campanha de financiamento coletivo para possibilitar a produção das primeiras unidades (isso vai ser uma história para um outro texto), e então criamos o site, um ano depois lançamos o volume DOIS, um ano depois novamente o volume THREE, e hoje estamos aqui, com site novo e muitos planos para 2020 🙂

Mas, voltando à nossa trajetória, hoje vemos que todo o desenvolvimento do Imagine-me, naquela época e ainda hoje, baseou-se em 2 princípios básicos: 

1. Criar!

 “Criatividade é inventar, experimentar, crescer, correr riscos, quebrar regras, cometer erros, e se divertir.” Mary Lou Cook (1918-atual), educadora estadunidense

Aqui falamos do Criar mesmo, com C maiúsculo. É o Criar que significa elaborar algo que só você, com a sua bagagem cultural e modo de ver o mundo, pode fazer. É passar para o papel um pouco de quem você é e expressar os seus sentimentos e percepções através da arte! 

Criar de verdade também é trilhar o caminho que pareça, a princípio, mais difícil e trabalhoso, mas que se mostra muito mais benéfico ao final. A tentativa e o erro não são acidentes, mas fazem parte do processo.

Criar de verdade também é explorar novas maneiras de ver o mundo, que você nunca pensou antes. Mais do que a experimentação por si só, a reflexão posterior sobre o que você criou é uma fonte para conhecer a si e suas relações com o mundo.

Esse, para nós, é o criar verdadeiro: um que permite a auto-expressão pela arte, em que criar e aprender são intimamente ligados pela experimentação e pela tentativa e erro, e em que o aprendizado é internalizado pela reflexão!

Mas esse é só um dos princípios do imagine-me, o outro é:

2. Pró-atividade

“Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.” Paulo Freire (1921-1997), educador brasileiro

Um criar por si só não basta. Queremos que a atividade seja divertida e um meio para um aprendizado que permaneça. Um aprender de verdade requer tanto divertir-se (afinal, “criatividade é a inteligência se divertindo”!) quanto contextualizar o aprendido na sua própria vida. E tem algo melhor para isso do que participar ativamente do desenvolvimento desse aprendizado? Quando a criança se torna parte importante e presente da formatação da própria brincadeira, coisas fantásticas acontecem. Cocriar a brincadeira significa, ao mesmo tempo, tomar as rédeas da atividade, abrindo amplos horizontes e ensinando muitas responsabilidades!

Criar proativamente também envolve “botar a mão na massa”. Queremos que as crianças sejam protagonistas da sua brincadeira e, portanto, do seu aprendizado. As brincadeiras mais significativas não são as que vêm prontas na tela do celular, mas aquelas que precisam ser tocadas, mexidas, reposicionadas… realmente experienciadas, enfim.

Acreditamos que o criar verdadeiro só se realiza quando também for pró-ativo, através de uma atividade que seja divertida, cocriada pela criança e experienciada em primeira mão.

E é isso 😉

Temos muito claro que criamos o Imagine-me com o propósito de permitir experiências de criação mais abertas, pessoais e, justamente por isso, mais significativas. Acreditamos que a educação do século XXI proporcionará experiências singulares, e vemos o Imagine-me como uma ferramenta para alcançarmos essa visão.

Acreditamos que a brincadeira que se cria é muito mais do que a brincadeira que se consome 🙂

Um abraço,

Guilherme, Henrique e Pablo

Equipe Imagine-me