Estereótipos e desenvolvimento infantil: como os brinquedos ajudam a criar vieses na mente infantil?

estereótipos no desenvolvimento infantil

Muito ouvimos falar sobre estereótipos e este é um tema super importante quando falamos de desenvolvimento infantil. Você sabia que os brinquedos, os jogos e os conteúdos consumidos pelas crianças ajudam a construir diversas percepções deste tipo? 

Para explicar melhor, vamos entender o que é estereótipo: 

Os estereótipos são pressupostos ou rótulos sociais, criados sobre características de grupos para moldar padrões sociais. Um estereótipo se refere a certo conjunto de características que são vinculadas a todos os membros de um determinado grupo social.

Informação: InfoEscola
É coisa só de menino? Menina pode (e deve) poder jogar bola se quiser!
É coisa só de menino? Menina pode (e deve) poder jogar bola se quiser!

Certamente você já se deparou com crianças de 2, 3 anos que já possuem determinada preferência, como por exemplo meninas que já optam por brinquedos da cor rosa, mesmo quando muito pequenas.

A construção de estereótipos acontece de maneira quase imperceptível, como por exemplo: 

Na hora de dividir os brinquedos que os meninos irão brincar e as meninas; 

A escolha de cores predominantes nas cores do quarto: tons de rosa para meninas e tons de azul para meninos; 

Tipos de brinquedos que reforçam o estereótipo de “o que é indicado para meninas aprenderem”. 

estereótipos no desenvolvimento infantil

Tudo isso constrói um entendimento na mente das crianças, mesmo quando não percebemos.

Quando devemos levar em consideração a importância de uma pluralidade lúdica, ao oferecer cada vez mais opções para as crianças experimentarem brinquedos diferentes, com cores diferentes, objetivos diferentes e por aí vai.

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“Quando você canaliza apenas um tipo de brinquedo que desenvolve a habilidade de construção para metade da população, isso significa que metade da população vai desenvolver um determinado conjunto de habilidades ou desenvolver um determinado conjunto de interesses”

Christia Brown, professora de psicologia da Universidade de Kentucky, nos Estados Unidos.
estereótipos no desenvolvimento infantil

As crianças possuem o instinto natural de seguirem os padrões que estão acostumadas a ver no dia a dia. Se eu me acostumar a usar roupinhas da cor rosa, meu quarto tem a parede cor de rosa e por aí vai… eu vou buscar outros objetos que seguem o mesmo padrão

“Uma vez que as crianças entendem a qual “tribo de gênero” pertencem, elas se tornam mais receptivas aos rótulos de gênero”.

Cordelia Fine, psicóloga da Universidade de Melbourne, na Austrália.

E este assunto é super complexo, afinal vivemos em um mundo que lida com outros tipos de gêneros, além do masculino e feminino. Isso faz com que todo o campo da educação, especialmente os temas de estereótipos e desenvolvimento infantil, passe por mudanças e novas reflexões.

Como explica a neurocientista Gina Rippon, da Aston University, no Reino Unido, o próprio fato de vivermos em um mundo de gênero cria um cérebro de gênero. Isso gera uma cultura de meninos que se sentem condicionados a se comportar de acordo com traços tipicamente masculinos — eles podem ser excluídos pelos colegas se não agirem assim.

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O assunto é bem extenso e importante, mas a lição que fica é: vamos dar possibilidades para que as crianças brinquem, se divirtam, aprendam e estimulem suas habilidades. Todos os jogos da Imagine-me foram criados e desenvolvidos para que as crianças pensem em figuras que fujam dos padrões e ainda possam treinar as suas habilidades. 

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Brinquedos educativos para o desenvolvimento infantil

O que acontece com a sua criatividade quando você cresce?

Em 1968, a NASA encomendou um experimento aos pesquisadores George Land e Beth Jarman. A agência espacial norte-americana desenvolveu um teste para uma população de crianças, o objetivo era identificar pessoas com uma extraordinária capacidade criativa. 

Os resultados que eles obtiveram foram que 98% das crianças de 5 anos podiam ser catalogadas como altamente criativas. Quando essa informação foi revelada, alguns psicólogos repetiram o experimento quando aquelas crianças tinham 10 anos e mais tarde aos 15 anos e 31 anos. 

“98% deles pontuaram no nível de gênio”

O resultado final? Bom, à medida que as crianças cresciam, a capacidade criativa diminuía. O teste constatou que na infância, 9 em cada 10 crianças têm algum tipo de genialidade, mas quando atingem a idade adulta, apenas 2 em cada 100 seguem sendo criativos. Isso significa que quando saímos da escola, já estamos muito menos criativos do que quando entramos. 

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Afinal, você se lembra de como era o seu nível de criatividade quando criança? Como você agia durante as brincadeiras, se era uma criança cheia de imaginação, se conseguia se desligar facilmente da realidade ao criar uma história…

Sem dúvidas, crescer é uma das coisas que nos afasta do mundo criativo. As normas sociais e a forma que o mundo nos espera é repleto de regras. Aprendemos como devemos agir, como devemos estudar, como devemos olhar para o mundo e as possibilidades criativas vão se tornando cada vez mais distantes do mundo real. 

A importância dos métodos criativos na educação infantil

Ao realizar o teste e buscar respostas sobre o funcionamento da mente, George e Beth (os pesquisadores que citamos lá no começo do texto) pontuaram que o cérebro funciona de duas maneiras: divergente e convergente. 

Pensamento DIVERGENTE
É um processo de pensamento que tem como objetivo achar o maior número possível de soluções para um problema. Essa capacidade é usada para gerar ideias e resolver algo criativamente. 

Pensamento CONVERGENTE
Consiste em achar uma única solução apropriada a um problema. Normalmente envolve um conjunto mais claro de regras e procedimentos, como o método cartesiano.

Ambos funcionam como um acelerador e um freio da mente. Quando educamos as crianças, no sistema tradicional de ensino, estamos dizendo para elas frearem e acelerarem, ao mesmo tempo. O que acaba diminuindo o poder do cérebro, pois estamos colocando nossas duas forças mentais para “brigar”. Afinal, estamos constantemente criando obstáculos criativos para justificar julgamentos e nos adequarmos a eles.

Assista ao vídeo com o próprio George Land sobre o tema:

O que podemos fazer?

 Agarre-se a todas as oportunidades criativas que a rotina proporciona. Se você convive com alguma criança na faixa dos cinco anos, observe-a e veja como ela tem insumos criativos. Nós temos a oportunidade de aprender com as crianças e fazer o que estiver ao nosso alcance para oferecer um ambiente amigável para a imaginação. Experimente e exercite a sua mente! 

Fontes: 
Forbes, Terra