Por que as crianças criativas serão os líderes do futuro

dúvida

Imagine que você está aspirando sua casa com pressa porque tem amigos chegando. Você está trabalhando duro, mas não está conseguindo limpar a casa. Você se ajoelha, abre o aspirador e retira o saco. Em uma nuvem de poeira, você percebe que está voltando à estaca zero. Tossindo, você o esvazia e se pergunta por que ainda existem aspiradores com saco!!!!!!!

Limpeza doméstica definitivamente não é para os fracos!

James Dyson, inventor e fundador dos aspiradores Dyson®, teve exatamente o mesmo problema. Mas, ele usou a solução criativa de problemas para encontrar a resposta. Enquanto muitas empresas se esforçavam para desenvolver um filtro de aspirador melhor, ele percebeu que precisava pensar de forma diferente e encontrar uma solução mais criativa. Então, ele desenvolveu uma maneira revolucionária de separar a sujeira do ar e inventou o primeiro aspirador sem saco do mundo.

Tcharããããmmm!!!! Criador (James Dyson) e criatura (aspirador de pó sem saco!).

A solução criativa de problemas é uma maneira de resolver problemas ou identificar oportunidades quando o pensamento convencional falha. Ela lhe incentiva a buscar soluções inovadoras, para que você possa formular um plano para superar obstáculos e alcançar seus objetivos.

Criatividade é a capacidade de possuir ideias originais. Sendo assim, você pode pensar de novas maneiras e resolver problemas de maneiras não convencionais se destacando em um mundo cada vez mais competitivo.

Vai muito além da inteligência espacial ou matemática – que é aquela de quem é mestre no xadrez.

Pequenas tomadas decisões na infância, grandes conquistas na fase adulta

Durante a infância, a criatividade possui um papel muito importante, pois é o momento em que a criança pode experimentar tomar as suas próprias decisões. Afinal, no decorrer do dia-a-dia da criança surgem dezenas de perguntas:

O que tem dentro desta caixa?

Como posso entrar nisso?

A que distância posso jogar essa bola?

Como posso fazer com que esses pedaços de papel grudem naquele pedaço de papel?

e muitas outras mais!

A criatividade é a chave para encontrar as respostas para essas perguntas.

Esse processo acontece ao longo de todo o processo de desenvolvimento e crescimento da criança, e envolve muita experimentação. A criança testa suas habilidades cognitivas e motoras ao experimentar como suas ações afetam seu ambiente. Assim, pensando e agindo de acordo com seus pensamentos autônomos.

Nós mesmos já falamos um pouco sobre a Autonomia infantil e respeito ao desenvolvimento das crianças e a importância de dar espaço para eles desbravarem suas próprias vontades e enfrentarem suas escolhas. Confira aqui

É importante que, nesses momentos –mesmo que sejam um pouco tensos para quem observa! – deixe-se a criança participar da tomada de decisões de forma bastante autônoma. De acordo com as pesquisadoras em pediatria Montse Esquerda Aresté e Cristina Nolla isso é inclusive essencial para o correto desenvolvimento da maturidade e das demais competências da criança.

Sabe aquele fator que acompanha a tomada de decisões em toda a nossa vida?

Sim, estamos falando do emocional.

Afinal, numa tomada de decisão, ele pode fazer com que uma ideia se transforme completamente!

Apesar de um pouco simplista, essa imagem comunica muito bem como a razão e emoção se complementam no nosso pensar!

Conforme Zuleyvic Adriana Cuícas, razão e emoção não podem ser separadas. A psicóloga afirma que “(…) aprender a administrar as emoções é fundamental para ensinar seus filhos a tomar decisões mais assertivas.”.

Ou seja, a criatividade está presente ao longo do grande ciclo que vivemos, aquele de experimentar tomar as nossas próprias decisões, consequentemente construir um grande repertório de vivências e seguir em busca de decisões assertivas no futuro. A criatividade nos faz experimentar todas as etapas que envolvem a tomada de decisões.

O mercado de trabalho futuro espera que as crianças de hoje resolvam problemas que sequer existem. Trabalhar o emocional desde cedo fará com que elas estejam muito mais preparadas para este desafio.

Falou em trabalhar o emocional, pensou no jogo criativo Imagine-me DOIS

É aí que entra a criatividade!

Às vezes pensamos que estamos entre uma escolha A ou B, quando na verdade, podemos criar um caminho C, D ou quem sabe Z? Exercitar a criatividade nesses momentos nos faz encontrar uma nova solução, é gratificante!

E mais: independente de A, B ou Z, a solução que poderá resolver a vida de milhões de pessoas não pode nem estar no alfabeto 😉

Um abraço!
EQUIPE IMAGINE-ME

Inteligência Artificial e educação: o caso do ChatGPT

O ChatGPT está causando um burburinho por aí… e você provavelmente já tenha ouvido falar. É uma inteligência artificial de uso livre, que simula conversas em um nível tão realista que parece que você está falando com uma pessoa de verdade. Ela tem demonstrado muito potencial, mas, ao mesmo tempo, tem gerado também muita polêmica e preocupação! Nesse texto (que, garantimos, não foi escrito pelo ChatGPT) a gente te conta tudo sobre essa novidade que tem feito bocas caírem ao redor do mundo!

inteligência artificial
Nossa relação com a Inteligência Artificial ainda é um campo muito incerto

Uma inteligência artifical de criação de textos

O ChatGPT foi criado pela OpenAI – uma fundação independente de pesquisa em inteligência artificial co-fundada por Elon Musk em 2015. Lançado em novembro de 2022, ele é um sistema treinado para interagir com os usuários em forma de diálogo, e é capaz de criar respostas muito parecidas às respostas humanas. O sistema consegue criar respostas para uma gama de perguntas e prompts de escrita e os usuários podem ainda solicitar reformulações dos textos produzidos.


Inteligência Artificial?

Em termos mais simples, IA (Inteligência Artificial) refere-se a sistemas ou máquinas que mimetizam a inteligência humana para executar tarefas e podem se aprimorar iterativamente com base nas informações que eles coletam.

Fonte: Oracle
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A ferramenta ainda está em fase de testes, mas traz respostas para inúmeras perguntas. Além de já ser um feito e tanto por possibilitar a criação de conteúdo por parte de um robô, o ChatGPT surpreende também por escrever de uma forma muito parecida com a dos humanos. Tanto que está gerando polêmica ao redor do mundo.

A polêmica do uso da Inteligência Artficial na educação

Um exemplo é a cidade de Nova York. Com receio de que os alunos comecem a usá-lo para colar ou escrever suas tarefas e redações com ele, a cidade proibiu o uso da ferramenta em todos os dispositivos e redes nas escolas públicas. A preocupação em torno do ChatGPT é que a ferramenta encoraje os alunos a plagiar, sem desenvolver as principais habilidades de pensamento crítico e resolução de problemas, importantes para o desenvolvimento acadêmico e de vida.

robô inteligência artificial aprendizado
Estaríamos nos encaminhando para um futuro de alunos robotizados pelo uso de sistemas de Inteligência Artificial?

Aqui na Imagine-me, acreditamos que o ChatGPT pode ser um ótimo aliado para a educação, principalmente na área das artes e ludicidade. Criar cenários, desenvolver o começo de histórias prontas para serem completadas.. Também pode ser o ponto de partida para algum bloqueio de criatividade, quem sabe? 

Por isso, acreditamos que devemos enxergá-lo não como um inimigo, mas como uma ferramenta que pode auxiliar a entender como formular perguntas corretamente, ou como ‘tal coisa’ poderia ser criada. Mas, não devemos (pelo menos não AINDA) considerar que as respostas e o uso do ChatGPT seja fonte confiável de conteúdo para elaboração de trabalhos ou redações. Há a possibilidade de expandir as habilidades dos alunos, mas esse é exatamente o desafio com essa nova ferramenta. 

Testando a criatividade da Inteligência Artificial

E, é claro, não pudemos ficar de fora! Fizemos um teste e jogamos uma rodada do Criaventura, nosso jogo de criar histórias, junto do ChatGPT. Foi assim: sorteamos 4 cartas do jogo (“vulcão”, “balão”, “ninja” e “partir”) e solicitamos que o robô criasse uma história usando esses elementos!

O resultado da interação (surpreeendente) você vê aqui embaixo:

Imagine-me:
Crie uma história usando os elementos “vulcão”, “ninja”, “balão” e “partir”

ChatGPT:
“Havia um vulcão ativo no Japão, chamado o Monte Fumaça. Um ninja chamado Hiro era o único que ousava se aventurar perto dele, pois ele sabia que havia riquezas escondidas dentro da montanha.
Ele planejou partir em busca delas usando um balão. Ele preparou seu balão e seu equipamento e partiu na manhã seguinte. Quando ele chegou ao topo do vulcão, ele desceu com suas cordas e encontrou uma câmara de tesouro cheia de ouro e jóias.
Mas, enquanto ele estava coletando seus tesouros, o vulcão começou a entrar em erupção. Hiro teve que agir rapidamente para subir de volta ao seu balão e partir antes que fosse engolido pelo vulcão.
Ele conseguiu escapar e viver para contar a história de sua aventura perigosa e recompensadora.”

Inteligência Artificial ChatGpt
E o mais legal é que dá pra fazer quantas variações você quiser. Aqui uma outra história, criada pelo ChatGPT a partir dos mesmos 4 elementos.

Curioso(a) para testar você também? Converse com o ChatGPT neste link (basta criar uma conta e está liberado :D)

Aproveite e garanta já um Criaventura
para criar histórias junto do ChatGPT

Vamos ficar de olho nos próximos passos e próximas novidades, mas podemos ter a certeza de que esses elementos da tecnologia que nos ‘aproximam do futuro’ vieram para ficar e devemos pensar em como melhor utiliza-los como ferramentas, principalmente na educação!

Boas conversas com o ChatGPT!
EQUIPE IMAGINE-ME

Qual é o valor da criatividade na educação?

Por muito tempo, criatividade foi associada unicamente à arte e algumas profissões próximas a ela – como design, arquitetura e publicidade. Ainda hoje, é bastante comum que as pessoas se refiram a profissionais dessas áreas como “os criativos”. Entretanto, isso gera uma espécie de “aura” ao redor da criatividade, como se essa habilidade fosse para poucos e restrita a campos específicos do conhecimento. No entanto, a verdade não é essa.

Ken Robinson, no seu famoso Ted Talk intitulado “Do Schools Kill Creativity?” (“As escolas matam a criatividade?”), define criatividade como “o processo de ter ideias originais e que tenham valor”. Tanto Robinson quanto outros autores tratam a criatividade de forma ampla, deixando claro que ela não é um atributo exclusivo de um grupo específico de profissionais, mas sim aplicável a todos. Um exemplo prático é o empreendedorismo, no qual o objetivo maior é solucionar algum problema para melhorar a vida das pessoas e lucrar com isso. Para solucionar um problema de forma original e útil, o empreendedor precisa ser criativo.

Um estudo desenvolvido em 2016 pela empresa Adobe em cinco países (Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França e Japão) aponta que as pessoas, em geral, acreditam que a criatividade oferece benesses em diversas áreas. Os participantes disseram acreditar que empresas que investem em criatividade têm maiores chances de serem inovadoras, obter mais lucros, aumentar sua produtividade e, até mesmo, desenvolver uma maior taxa de felicidade entre os empregados. Ainda segundo a pesquisa, as pessoas que se consideram “alguém que cria” indicaram receber melhores salários, serem mais felizes nos seus empregos e terem mais autoestima do que as que não se consideram criativas (e mais: elas acreditam que a criatividade as deixa melhores, inclusive, como estudantes e pais!). Para concluir, a pesquisa aponta que as pessoas acreditam que países que investem mais em criatividade são mais propensos a serem inovadores, obter melhores resultados econômicos e, ainda, ter cidadãos mais felizes. As pessoas realmente percebem a criatividade como um fator-chave para uma melhor qualidade de vida.

Agora, vamos aos dados negativos apontados pela pesquisa: apenas quatro em cada dez participantes se consideram criativos, e só 31% acreditam que estão vivendo o seu potencial criativo. Para piorar, a maioria disse acreditar que o sistema educacional sufoca a criatividade, e apenas 37% disseram que os governos encorajam as escolas a ensinar os alunos a serem mais criativos.

Parece claro que existe um descontentamento com relação à intensidade com a qual a criatividade é estimulada nas escolas – ainda que ela seja um atributo valorizado pelas pessoas e considerado capaz de transformar as suas vidas para melhor. 

Isso nos leva, então, à ideia de inserir elementos estimulantes para a criatividade dentro da educação, ou seja, uma educação mais criativa.

Talvez você ainda não esteja convencido e esteja se perguntando: “Mas qual é o valor prático de uma educação mais criativa?” Então, vamos lá: no já mencionado Ted Talk, Robinson diz que “escolas estão educando para um futuro que não sabemos como será”. Você já parou para pensar no quão rápido o nosso estilo de vida tem mudado nos últimos anos? Apenas como exemplo, brasileiros que hoje estão com cerca de 90 anos possivelmente passaram de uma realidade em que não possuíam luz elétrica em casa para outra na qual possuem o acesso a praticamente qualquer informação em um smartphone que cabe na palma da sua mão (aliás, se tiverem a oportunidade, conversem com os seus avós ou pais sobre as transformações que eles viveram. Vale a pena!). Smartphones que, por sinal, tornaram-se populares apenas a partir de 2007 e 2008, com os lançamentos do iPhone, da Apple, e do sistema operacional Android, do Google. Veja o quanto a sua vida foi transformada em um período tão curto de tempo e quantas indústrias um único produto transformou!

Proponho um desafio: reflita um pouco a respeito de como era a sua vida há 15 ou 20 anos. O que você fazia nos seus momentos de lazer? Como se comunicava com as pessoas? Como você estudava ou trabalhava? Agora, compare as respostas com as que você daria se lhe fossem feitas as mesmas perguntas hoje. Aposto que muita coisa mudou, não é? E aposto que muitas dessas mudanças você não pensou que aconteceriam.

O que quero dizer com isso é que a tendência é que as mudanças se tornem cada vez mais rápidas.

Em termos de trabalho, a maioria dos nossos avós construiu uma carreira na mesma empresa; para os nossos pais, o cenário foi semelhante, ou pelo menos permitiu que construíssem uma carreira na mesma profissão. Para nós, é grande a possibilidade de trocarmos de profissão (ou não pararmos de trabalhar) ao longo da vida, seja por pressão do mercado, extinção da profissão ou mesmo inquietude. Para as crianças de hoje, no entanto, o cenário é ainda mais complexo. Em 2013, um estudo desenvolvido nos EUA apontou que aproximadamente 47% (quase a metade!) dos empregos no país estavam em situação de risco – ou seja, podiam ser substituídos por máquinas no curto prazo. Arrisco-me a dizer que as crianças de hoje vão precisar se reinventar muito mais do que imaginamos. E, para isso, elas vão precisar ser criativas.

Aqui no Imagine-me nós acreditamos na relevância de mais criatividade na educação. E você, o que acha? Vamos juntos?

Pablo Herzog

Equipe Imagine-me

* Este artigo do Imagine-me foi revisado por Julio Cunha Neto, do Português de Boa.